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Retrospectiva
V ENCONTRO NACIONAL DE IRMÃOS
Decorreu no dia 5 de Outubro de 2007 no Hotel Monte Rio em Aguieira, Mortágua.
Cerca de 600 participantes ouviram o tema "Prosperidade" narrado pelos irmãos Ivan Fletcher e Normando Fontoura. Abaixo inserimos um resumo do exposto. O apresentador do Programa foi o Irmão Duarte Casmarrinha e os grupos corais de Lisboa e Bairrada entoaram belos cânticos a Deus, assim como uma irmã solista de Coimbra.
"O EVANGELHO DA PROSPERIDADE"
(Por Ivan Fletcher)
Significado? "Avançar, Ter êxito, Fazer progresso" Ter Prosperidade ≡ Ser Abençoado.
I É o Propósito de Deus que Seus filhos sejam ricamente abençoados: Que tenham prosperidade:
Um discípulo de Cristo é uma pessoa chamada por Deus:
Deus chamou-te a ti para: 1) Abençoar-te e 2) Que sejas uma bênção. "Não tornando mal por mal...antes, pelo contrário, bendizendo; sabendo que para isto fostes chamados, para que, por herança, alcanceis a bênção." 1Ped 3: 9
II Deus abençoou alguns dos Pais com Prosperidade Material:
Exemplos: Abraão: Gên 13: 2; Gên 24: 35. Isaac: Gên 26: 13, 14. José: Gên 39: 2, 3, 23; 41: 40, 41. Deus não somente abençoou a José mas fez com que ele fosse uma bênção a outros: José foi uma bênção: i) aos Egípcios: Gên 47:25, ii) a Faraó: Gên47:20, iii) a sua família: Gên45:7. Job: Job 1: 10; 42: 10,12 e 13.
Salomão: O mais flagrante de Deus a abençoar os Seus servos com riquezas materiais: 1 Reis 3: 5, 9. 11 a 13.
III Deus Prometeu abençoar o Povo de Israel com Prosperidade Material na Condição que guardassem os Seus Mandamentos: Deut. 7:12 a 15; 28:1 a 5, 8, 11 a 13.
IV A Doutrina da Prosperidade:
A mensagem da Prosperidade é: Os cristãos devem esperar saúde, riqueza, sucesso, felicidade e realização pessoal não somente nos céus e na vida eterna, mas na sua vida aqui na terra. Deus deseja abençoar o Seu Povo como abençoou os santos no Velho Testamento. No ensino da prosperidade os pobres estão desprezados e levados a sentirem-se culpados. Alguns pregadores da prosperidade chegam a ensinar que um crente pobre não deve ter fé suficiente, ou, pior ainda, deve ter algum pecado oculto em sua vida.
Alguns versículos usados para apoiar este ensino:
1. Luc. 6: 38. "Dai, e ser-vos-á dado; boa medida, recalcada, sacudida e transbordando, vos deitarão no vosso regaço; porque, com a mesma medida com que medires, também vos medirão de novo."
2. 2Cor. 9:6. "O que semeia pouco, pouco, também, ceifará, e, o que semeia em abundância, em abundância ceifará."
3. Mar 10: 29 a 31. "Em verdade vos digo que ninguém há, que tenha deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou mulher, ou filhos, ou campos, por amor de mim e do Evangelho, que não receba cem vezes tanto, já, neste tempo, em casas, e irmãos, e irmãs, e mães, e filhos, e campos, com perseguições; e, no século futuro, a vida eterna. [Porém, muitos primeiros serão derradeiros, e muitos derradeiros serão primeiros. v. 28 "Pedro começou a dizer-lhe: Eis que nós tudo deixamos, e te seguimos."]
As pessoas querem ouvir uma mensagem de saúde e riqueza, de esperança, de cura e de prosperidade financeira. É um evangelho que atrai muita gente! Será o Evangelho de Deus?
V A Doutrina da Prosperidade e o Evangelho de Cristo:
A doutrina da Prosperidade é completamente estranha à vida e do ensino do Senhor Jesus Cristo. Aquele que se fez pobre por amor de nós. 2Cor. 8: 9.
1. A Vida do Senhor Jesus
Nos Dias da Sua Carne: Cristo não viveu regalado em riquezas materiais.
1) No Seu Nascimento: Luc. 2: 11 a 12. "Envolto em panos, e deitado numa manjedoura."
2) Na Sua Vida: Mat. 8: 20 "O Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça."
3) Na Sua Morte: Mat. 27: 35."Havendo-o crucificado, repartiram os seus vestidos, lançando sortes"
Alguns exemplos:
1) Nas Suas Parábolas: Mat 13: 22 "Os cuidados deste mundo, e a sedução das riquezas, sufocam a palavra, e fica infrutífera." Luc. 12: 16 a 21. "O que tens preparado, para quem será?" Luc. 16: 19 a 31. O rico e Lázaro e o pobre mendigo.
2) Nos Seus Avisos:
Mat. 6: 24 "Não podeis servir a Deus e a Mamon."Mat. 6: 25 a 34. "Não andeis cuidadosos, quanto à vossa vida...Buscai primeiro o reino de Deus..." Mat.19: 23, 24. "É difícil entrar um rico no reino dos céus..."
3) Nos Seus Mandamentos:
Mat. 6: 19. "Não ajunteis tesouros na terra..." João 6: 27. "Trabalhai, não pela comida que perece..."
O evangelho da prosperidade é outro evangelho e apresenta outro Jesus.
VI. A Verdadeira Prosperidade:
1. Uma Explicação Como se pode reconciliar a riqueza dos patriarcas com a pobreza de Cristo?
A verdadeira mensagem da Palavra de Deus é espiritual. Jesus (João 6:63.) "O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita."
Deus usa o material para ensinar verdades espirituais. Heb. 8: 5 "Servem de exemplar e sombra das coisas celestiais." Heb. 10: 1 "A sombra dos bens futuros." Col 2: 17 "São sombras das coisas futuras, mas o corpo ( a realidade) é de Cristo."
2. A Bênção da Salvação
A Verdadeira Prosperidade Comum a todos os Filhos de Deus:
A Justificação: Rm 3: 24, 22. A Bênção de Abraão: Gal 3:14; Rm 4: 7, 8.
As Bênçãos Espirituais em Cristo:Ef 1.
3. A Bênção do Galardão
A Verdadeira Prosperidade que o Senhor Jesus dará a cada um, segundo as suas obras: Um Tesouro no Céu. Apoc 22: 12.
O Verdadeiro Tesouro: a Plena Prosperidade A Igreja do Senhor A Pérola de grande valor! "As riquezas da glória da herança de Deus nos santos" (Ef 2: 18)
Mat 6: 19, 20. "Não ajunteis tesouros na terra...mas ajuntai tesouros no céu..." Uma Prosperidade Segura!
VII Alguns Avisos:
1. O Perigo do Pecado:
Prov 28 : 13. "O que encobre as suas transgressões, nunca prosperará; mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia."
2. O Perigo da Carnalidade:
- O Exemplo de Ló. Gên 13: 6, 11, 12.
3. O Perigo de Materialismo
Viver para este preste século. Tempos perigosos vão abater-se sobre este mundo: calamidades catastróficas, doenças e pragas.
Nota Final: Onde está o meu coração?
"Onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração." Mat. 6: 21.
OS PERIGOS DO
"EVANGELHO DA PROSPERIDADE"
(por Normando Fontoura)
Talvez cansados de um Evangelho que inclui um custo demasiado alto para as suas ambições pessoais, milhões de cristãos têm-se neste últimos anos voltado para um evangelho muito mais soft e agradável aos seus ouvidos, uma vez que o mesmo só traz vantagens e fortuna aos seus seguidores.
Tendo origem em movimentos marginais nos EUA, um dos seus precursores, Kenneth Hagin, ensinou a "confissão positiva" como uma fórmula para se alcançar praticamente tudo o que se quer, pelo que não ter passa a significar falta de fé, e ter saúde e riquezas passa a ser um direito de todo o cristão. Pedir deixa então de ser a linguagem do cristão que quer prosperar, substituindo-se por expressões de fé tais como "Determino", "Decreto", etc. A vontade de Deus passa então a ser sujeita à nossa determinação, desejos e ambições.
Fundando a famosa escola "Rhema" na África do Sul, Hagin conseguiu criar discípulos à sua imagem e semelhança, como são os exemplos mais conhecidos de Kenneth Copeland, Benny Hinn e de Jorge Tadeu, no caso português.
Apesar do apelo quase irresistível deste evangelho, ele esbarra com a revelação e entendimento equilibrado da verdadeira essência do Evangelho.
Talvez um dos maiores erros deste ensino seja a confusão causada pela mistura das promessas e bênçãos concedidas à nação de Israel no V.T. e as bênçãos prometidas à Igreja, o povo da Nova Aliança. Ignora-se que todas as promessas materiais e físicas prometidas a Israel têm uma aplicação meramente espiritual para o crente do N.T. O cristão é convidado pelo Mestre a negar-se a si mesmo (e isso pode incluir o bem estar material), e a considerar-se um mero peregrino nesta terra. A própria Igreja não tem direitos materiais neste mundo, pois o seu próprio Fundador não tinha sequer onde reclinar a Sua cabeça.
Algumas distorções graves deste evangelho:
- apresenta uma visão distorcida do carácter de Deus.
Cristo passa a ser um meio para se alcançar um fim. O cristão é convidado a vir à mesa do Mestre, não para ter intimidade com Ele, mas para gozar o que Ele põe na mesa. Deus é assim "usado" para servir os nossos interesses, passando o Reino de Deus a constituir "comida e bebida", ou seja, aquilo que se tem e se consegue e que nos sabe bem.
A vontade soberana de Deus é assim distorcida, pois Deus não poderá mais trabalhar no crente segundo o Seu desejo, não tendo assim permissão para ser Senhor num coração cuja vontade é determinada pelo desejo e ambição pessoal.
- apresenta uma visão distorcida da fé.
A fé deixa de ser uma confiança submissa a Deus para passar a ser uma fórmula através da qual se manipulam as leis espirituais da prosperidade que governam o universo. A confissão positiva será agora a nova linguagem do crente, uma vez que dessa forma as palavras passam a ter poder criativo: "O que dissermos determinará tudo o que nos vai acontecer", pelo que Deus ver-se-á forçado a satisfazer os caprichos dos Seus filhos, já que eles descobriram a fórmula para lá chegar.
- apresenta uma visão distorcida da vida cristã.
A História da Igreja está impregnada do sangue de mártires, dos sofrimentos, prisões e perseguições de milhões de seguidores de Cristo. Já para não falar da pobreza material dos muitos que têm pago um elevado preço pela sua escolha. Ainda que para se ser cristão não se tenha de ser necessariamente pobre, a ênfase do Evangelho está muito mais no ser do que no ter.
Jesus aconselha os Seus seguidores a buscarem "as verdadeiras riquezas espirituais", já que "a abundância do homem não consiste nas suas posses." (Lucas 12:15). Ele avisa ainda que a atracção pelo bem estar material pode tornar-se fatal para a alma, pois que o coração do homem facilmente se prende àquilo que ele mais admira e que o atrai (Mat. 6:21).
O verdadeiro Evangelho fala de um Deus que sendo rico Se fez pobre, para que nós fossemos ricos (espiritualmente). Ensina-nos ainda a trabalhar "não por aquilo que perece, mas por aquilo que é eterno". (Efésios 4:28). A verdadeira riqueza do crente consiste na satisfação de ser filho de Deus e na certeza e confiança na Sua promessa de que Ele será capaz de suprir todas as suas necessidades, incluindo as materiais.
Façamos nossa a oração de Agur em Provérbios 30:8-9.
Refrigério Edição n.º 119 - Novembro/Dezembro 2007
Autoria: Ivan Fletcher e Normando Fontoura
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