|
A cena no monte Carmelo é bem conhecida; a nação de Israel, sob o reinado de Acab e Jezabel, tinha caído outra vez na idolatria.
Pela palavra de Elias tinha havido uma seca de três anos e meio e o país inteiro estava em grande aperto. Foi nessa altura que Elias chamou todo o Israel, e o rei, para o monte Carmelo e lançou o desafio em nome do Senhor, O Deus que respondesse por fogo seria o verdadeiro Deus.
Os profetas de Baal, que eram quatrocentos e cinquenta homens, prepararam o seu sacrifício e clamaram durante todo o dia ao seu deus: não houve nem voz, nem resposta aos seus clamores.
À hora do sacrifício da tarde, Elias manda preparar o seu holocausto e clama ao Senhor; o fogo veio, queimando O sacrifício e até as pedras e lenha do altar.
O povo caiu sobre o seu rosto reconhecendo que Jeová era Deus.
O símbolo de fogo é bem conhecido como representando o Espírito Santo em acção; é o selo de aprovação. Ele é um fogo consumidor; a Sua presença purifica, aquece, alumia e anima.
Aqui, o que atrai o fogo do Senhor foi o sacrifício; era um holocausto, um sacrifício em que o animal inteiro era posto sobre o altar; não havia de faltar um só pedaço, nem perna, nem orelha, nem coração nem pele; tudo era para o Senhor. A vida que está pronta a apresentar-se assim diante do Senhor, depressa sentirá a maravilhosa acção do fogo divino, pelo Espírito Santo, na sua alma.
Mas a aceitação do sacrifício não era o único efeito aqui; certamente foi a parte mais importante.
Deus convenceu aquele povo por meio do fogo que Ele era o Deus Vivo; o povo de Deus estava sobre o seu rosto em adoração ao Senhor.
Mas o fogo fez mais: logo depois houve um mandamento da parte de Elias: "Lançai mão dos profetas de BaaI; que não escape nenhum". Em seguida foram levados para o ribeiro de Kison e ali mortos; o fogo levou à destruição do que era falso entre o povo de Deus; o resultado do fogo cair, foi que não ficou coisa nenhuma da falsa adoração; o fogo que convence, também desfaz aquilo que nos põe sobre o rosto adiante do Senhor, também nos se para de todo o vestígio daquilo que é diabólico, mundano ou carnal.
O fogo que trouxe o grito de adoração do coração do povo do Senhor: "Só O Senhor é Deus", também trouxe o grito de morte da boca dos falsos profetas.
O fogo divino que revivifica o que é do Senhor, certamente há-de queimar aquilo que não é d'Ele na mesma vida; não se pode ter uma coisa sem a outra.
É evidente que o cair do fogo era apenas parte do propósito de Deus no monte Carmelo; isso revivificou o povo de Deus e levou à destruição dos profetas de BaaI, mas não modificou em nada a situação do povo ou do país; a fome continuava, a seca não tinha findado; o país estava na miséria; não havia verdura nenhuma em todo o país; os animais morriam por falta de pasto.
O fogo fez muito, mas não teria sido duradoiro nos seus efeitos se não viesse a chuva.
Elias pôs-se logo em oração para que o Senhor completasse a Sua obra nessa nação, mandando a tão almejada chuva. É claro, se tivesse havido chuva sem o fogo o povo teria continuado na mesma idolatria; o fogo era preciso, mas a chuva depois era indispensável para o povo não cair outra vez no desespero.
O fogo tinha posto o povo sobre os seus rostos em adoração e temor, mas a chuva havia de enchê-los de gozo, satisfação e abundância.
O Espírito Santo vem como fogo, mas também rega a vida do crente; não valeria a pena Ele queimar, destruir, desfazer o que há na vida contra a vontade do Senhor, se, ao mesmo tempo, não fizesse crescer a «verdura» de novos desejos, fazendo brotar na vida o fruto d'Ele em toda a sua beleza e frescura.
Ele vem como fogo numa crise definida, como o fogo caiu no monte Carmelo, mas "vem caindo» como a chuva que se seguiu ao fogo no monte.
O primeiro é uma experiência definida, o segundo um processo contínuo. Muitos crentes há que experimentaram a crise do fogo cair e a consequente liberação do que é de Baal, mas que nunca continuaram buscando a face do Senhor para essa chuva abundante cair continuamente sobre a sua vida seca e árida; não se vê o pecado neles mas também não se vê muita «verdura».
A oração de Elias para que o fogo caísse foi simples e curta, pois a resposta não dependia tanto da oração como do sacrifício já feito, mas a oração pela chuva parece ter levado muito mais tempo, pois mandou o moço urnas sete vezes para olhar para o mar, antes de aparecer o sinal desejado.
É possível experimentar o fogo do Espírito num momento logo que tenhamos feito o ((holocausto)) de toda a nossa vida.
Mas não teremos a «chuva» contínua do Seu refrigério sem estarmos diante do Senhor dia e noite em oração. O mesmo Deus que mandou o «fogo» está pronto a dar-nos abundância de «chuva», também.
Autoria: Frank Smith
|