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20-Nov-2008
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Irmão José Manuel Capote PDF Imprimir

 

Nasceu em Lisboa à data de 17 de Fevereiro de 1958. Tinha acabado de fazer 50 anos, quando na madrugada do dia 26 de Fevereiro de 2008, o SENHOR, inesperadamente o chamou à sua presença.
Quando às 5,30 horas sou despertado e sua filha Sofia me deu aquela notícia, cumpriu-se o que o Profeta disse: "Não sabeis que hoje caiu em Israel um Príncipe e um grande?" II Sam 3.38.
Aos 9 anos de idade na Escola Dominical da nossa Missão do Bairro do Matadouro ao Pragal, em Almada, ele aceitou Jesus no seu coração. Naquela altura o seu professor era o amado e saudoso irmão Fernando Simões.
Daí e até ao momento que o Senhor o tomou, decorreram 41 anos, foram anos em que este amado irmão e companheiro de ministério se manteve fiel ao SENHOR, Família, Igreja a aos Amigos ao interiorizar, como fez as palavras de Paulo a Timóteo no (4.2) "Prega a palavra, instes, quer seja oportuno quer não".
Sempre preocupado como acabaria a carreira lembrando-se o que o SENHOR disse a Daniel, depois de lhe dar a visão, (12.13 )  "Tu porém vai-te até que chegue o fim, tu repousarás e então no fim dos dias levantarás para receber tua herança". É importante o início de carreira mas, mais importante é como a terminamos". Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé" (II Timóteo 4.7).
Ele vivia tão intensamente o ministério dando por vezes a sensação de que dentro do tempo que disporia não podia deixar nada por fazer.
Deixamos de contar com a sua presença física neste mundo, alegra-nos saber que o SENHOR que o tomou para si, conforme a sua vontade, trará paz à Rosa sua esposa e filhas Sofia, Sara, sua sobrinha Jéssica,  bem como toda a família e Igreja.
Todos carregaremos com a herança de um homem comprometido com Deus e a sua Preciosa Palavra.
Ele era alguém que estava plantado na casa do SENHOR. Sabia "os que estão plantados na casa do SENHOR florescerão nos átrios do nosso Deus" (Sal. 9.13).
Quando raramente o não podia fazer tinha a preocupação de avisar, foi por isso que floresceu e foi o bom cheiro suave de Jesus. "Porque para Deus somos o bom cheiro de Cristo, nos que se salvam e nos que se perdem" (II Coríntios 2.15).
Assim como a sua vida, o seu chamamento à Glória afectou a muitos.
No dia do seu funeral foram lidas e confirmadas aos nossos olhos, na casa de oração, as palavras de (Apocalipse 14. 13) "E ouvi uma voz do céu, que me dizia: Escreve: Bem aventurados os mortos que desde agora morrem no SENHOR. Sim, diz o Espírito para que descansem dos seus trabalhos, e as suas obras os sigam"
A Casa de Oração estava completamente lotada, não havia espaço, toda a escadaria e ainda o passeio exterior de acesso à entrada.
Mais de mil pessoas, muitos colegas de trabalho e vizinhos actuais e antigos que o conheciam ou conheceram que com a sua presença quiseram manifestar-lhe a sua honra e afirmar como a sua companhia os influenciou.
José António Xavier
(Ancião da Igreja)



Vejamos o que nos diz a sua filha e irmã na fé:
«Apesar de ser filha do irmão José Manuel Capote, posso descrevê-lo das mais variadas  formas, segundo os mais variados  pontos de vista.
Ele foi um Pai (no sentido mais pleno da palavra, o que implica dedicação, sacrifício, ensino, correcção, ....., amor); foi o Amigo mais chegado que o Senhor me permitiu ter então; foi Confidente; foi Mestre; foi Conselheiro; entre tantas outras coisas.
Fácil é perceber que, verdadeiramente, me deixou uma herança recheada de bons exemplos a seguir, mas o maior deles é sem dúvida, como viver sendo, sem vergonha ou pudor, um filho de Deus! E eu sei (porque o Senhor me permitiu ver durante 22 anos) o que isso implica: horas diárias aos pés do Senhor, buscando o conhecimento daquele que nos criou, o conhecimento de Quem Ele é e de como nos ama infinitamente mais do que podemos sequer imaginar!
Se todos abdicarmos de nós deste modo, diariamente (com humildade, reconhecendo que em  Deus nada somos ou podemos vir a ser), o Senhor manifesta-se nas nossas vidas como sempre o fez na vida do meu pai  e, com certeza, todos teremos filhos a dizerem o mesmo que eu digo do "Mano Capote", para honra e glória exclusiva do nosso Amado Deus, pois nele fez a obra e o usou neste mundo de um modo tão maravilhoso, tocando com o Seu Amor, através do meu pai, centenas e centenas de vidas!
A Deus a gratidão do meu coração, pelo privilégio de ter sido "filha emprestada" (neste mundo) de um servo de Deus tão...servo.  
A Deus toda a glória» (Sara Capote).      


Líder de Jovens da Igreja OMECA onde o nosso irmão serviu ao SENHOR:
"Eu de muito boa vontade gastarei, e me deixarei gastar pelas vossas almas, ainda que, amando-vos cada vez mais, seja menos amado". II Cor 12:15.
Após a partida do nosso amado irmão José Manuel Capote, para a Glória, senti que tinha falhado para com aquele irmão, visto que ficou muito por dizer e muito por agradecer em especial o amor que mostrava para comigo e para com a minha família, não que nunca lhe tivesse agradecido, mas porque pareceram poucas as vezes.
Faz dois anos e meio que fiquei cheio de dúvidas, dúvidas relacionadas com a minha vida Espiritual e matrimonial tive a oportunidade de falar com este querido irmão, que com o seu amor nunca desistiu de lutar pela minha alma. Juntos choramos de tristeza, juntos fui corrigido em amor, juntos podemos experimentar mais uma vitória em Cristo e por fim chorar de alegria. Nestes últimos anos senti-me cada vez mais perto deste irmão, que muito me ensinou sobre o Nosso Senhor Jesus Cristo, e o meu amor por ele é como de um filho para com seu pai. Muito tenho agradecido a Deus pela oportunidade ter tido Comunhão com este irmão.No dia que o nosso irmão partiu procurava consolação na Palavra de Deus, um dos versículos que li foi II Coríntios 12:15, acima, e sei que este irmão se gastou por amor ao Senhor em prol da salvação da minha alma. Pelo seu testemunho e perseverança na doutrina e na oração, sou salvo no Senhor Jesus Cristo».
Pedro Ferradeira


Excerto de um E-Mail enviado por um colega do José Manuel Capote a outros colegas do Banco BPI onde trabalhavam, no dia da sua partida para o SENHOR:

«.../... Falar do Zé Manel não tem dimensão temporal. Morre aos 50 anos, um homem que conheço há 17, que outros conhecem há meses e outros há uma vida. É curioso, fala-se sempre do mesmo Zé Manel.
Partilhei muitos momentos com o Zé Manel. Partilhei semanas consecutivas de um privilégio raro que é estar na presença de uma pessoa boa. Milhares (sim milhares) de almoços na presença de um homem bom, falando de coisas boas, ou transformando as más em boas, falando de cada refeição uma comunhão, de cada palavra um consolo, de cada gesto um carinho, de cada piada um sorriso aberto e luminoso.
O Zé Manel não era a Madre Teresa de Calcutá, nem o Bispo Ximenes Belo, não, o Zé Manel, era um homem como nós, comia como nós, brincava como nós, lia como nós, oferecia como nós, discutia como nós, argumentava como nós.
Mas bom, o Zé Manel, em tudo o que fazia, era um homem bom e mesmo quando os caminhos eram tortos, o Zé Manel escrevia direito. Foi um privilégio tê-lo conhecido, foi um privilégio tê-lo a meu lado diariamente, durante muitos e bons anos.
Hoje o Zé Manel não está entre nós. Gostava de lhe ter dito Adeus mas não pude. Gostava de ter estado na Festa dos seus 50 anos, mas não soube, gostava de lhe ter perguntado mais uma vez pela Rosinha e pelas meninas, de quem ele tanto se orgulhava.
Para quem não tem fé ou a tem  reduzida, o Zé Manel deu-nos com a sua vida, com a sua palavra, com o seu gesto, uma das mais bonitas lições que se podem ter na nossa (tão curta) passagem por aqui».


Mais um excerto de outra mensagem de e-mail, também colega do  Banco BPI nesse mesmo dia

«O José Capote
O Capote era isso mesmo, um verdadeiro Capote dos seus amigos, dos seus queridos e ainda por cima de toda e qualquer alma que lhe passasse pela frente, nem que fosse uma só vez. Não me preocupo com o que possam pensar desta analogia, deste trabalho. Sei que ele, com o seu humor e bondade, adoraria um verdadeiro Capote sim.
Sempre amigo, sempre pronto a falar, sempre bem disposto, sempre crente num Deus, mas sempre humano.
Sempre achei que Deus, a existir, devia ver nele um dos verdadeiramente Bons Porta-Estandartes da sua causa.
Não convivi muito com ele no passado recente, mas toca-me a sua partida como poucas coisas me tocaram nos últimos anos, era um jovem, dos verdadeiros, dos que acredita que a sua grandeza se faz de quem ele ajuda a levantar-se, e não de quem ele derruba. Era grande, era muito grande para mim, porque poucas pessoas merecem que eu as olhe como irradiadores de bondade pura  para além dele.
Estou muito triste, este mundo, com a sua partida, fica mesmo, mesmo mais pobre, onde ele chegar, seja onde for, e espero que seja onde acreditava, tudo ficará mais rico.
Perdi um tesouro, hoje, quando me disseram que ele tinha morrido, perdemos todos, os seus amigos, familiares e partilhadores de vida. Mesmo os que possam não se aperceber disso.
Eu apercebo-me bem. Perdi o Tesouro da sua amizade, do seu cumprimento que era sempre "Luizinho" ou "Mano"... Perdi isso. Não vou ter mais... mas, porque tudo isso tive, também tudo isso viverá em mim e em todos os que, como eu, o amavam e admirava».

Conclusão:
«Coube-me a mim ainda sem perceber bem porquê, reunir estes testemunhos sobre o nosso irmão José Manuel Capote e fazer uma pequena conclusão.
Como já pudemos ler ( e eu próprio vi ao longo dos anos ) a boa influência e testemunho que este irmão tinha e tem não só na Igreja mas também fora ..
Hoje mesmo dia 4/5/2008 e às 23,50 horas estou sentado na secretária em minha casa onde já tinha há quase uma semana o material reunido faltando só a conclusão e pequenos acertos.
Mas porquê? O concluir hoje o artigo, e porquê se eu disser que ainda hoje o testemunho de vida, deste irmão, influencia pessoas?
Sou Pai de duas crianças, de 5 e 8 anos, e hoje depois de muita insistência delas, lá foram ao cemitério com os seus avós, ver como estava a campa do seu irmão Zé Manuel e se a mesma já tinha a pedra colocada. Ali fizeram questão de colher flores do campo e colocar na base do versículo bíblico que está sobre a sua campa. S.João 11:25-26 "Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; Quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá; E todo aquele que vive, e crê em mim, nunca morrerá. Crês tu isto?". Eles lembram-se bem dos seus ensinos, dos seus cumprimentos sportinguistas no fim das reuniões, enfim da comunhão que tinham com o Zé Manuel.
Poderia escrever muito mais sobre o irmão José Manuel, mas penso que não haverá espaço neste artigo para muito mais, só realçar o testemunho que este irmão dava em perdoar, em amar, a sua dedicação à obra do Senhor.
"Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade" (II Timóteo 2. 15), uma das coisas que eu mais admirava nele, a facilidade com ele do "nada" começava a falar com um descrente das coisas de Deus, não deixava fugir oportunidades para falar de Cristo».      
João Paulo Xavier 

Refrigério n.º 122

 
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