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Foi esta pergunta a Pedro que o levou a negar o Senhor Jesus pela terceira vez. É interessante que o criado recorde a Pedro tal lugar que, para ele, só teria memórias desagradáveis.
Creio que foi Satanás que pôs tal pergunta na boca do criado, conhecendo a reacção que provocaria; ele bem sabia que não teria conseguido o mesmo resultado com outras perguntas.
Por exemplo, se o criado lhe tivesse perguntado: Não te vi no monte com Ele? isto é, no monte da transfiguração, certamente teria suscitado em Pedro outro sentimento. Não sentiria ele um certo orgulho em responder que tinha estado com o Senhor naquele dia memorável, que estivera entre aqueles três tão privilegiados, vendo a Glória do Filho de Deus?
Não teria, até, contado com alegria o maravilhoso bem estar daqueles momentos e de como se sentiam arrebatados pelo ambiente admirável do próprio ceu?
Pedro nunca mais se esqueceu daquele dia; na sua carta escrita mais tarde aos crentes, ele refere-se à excelsa glória e majestade do Senhor; estava gravada na sua memória de tal maneira que não podia deixar de falar de tal experiência. Mas não foi isso o que o criado perguntou.
Se tivesse perguntado; «Não te vi eu ao pé do sepulcro de Lázaro com Ele?» estou certo de que Pedro não teria podido deixar de contar o que tinha presenciado nesse dia tão maravilhoso em que o Filho de Deus havia demonstrado o Seu poder sobre o maior inimigo do homem a própria Morte! Teria tido até um certo brio em ser contado entre aqueles que tinham visto com seus próprios olhos tal milagre, e nenhuma dificuldade teria em ligar-se ao Filho de Deus em tais circunstâncias, porque isso lhe traria uma certa honra.
Se o criado pudesse ter presenciado a cena no mar, quando Pedro andou sobre as águas e lhe tivesse perguntado: «Não te vi eu andando sobre o mar com Ele?, que resposta teria dado? Uma bem diferente daquela que deu, estou certo. Seria impossível Pedro calar-se sobre essa experiência gloriosa (ainda que, por momentos falhasse) e teria descrito, com muito gosto, como o Senhor o tinha feito andar sobre as próprias ondas, de como tinha calcado aos pés a fúria do temporal e como o próprio mar se tornou uma estrada para eles! Pedro não conseguiria conter o entusiasmo ao relatar o poder do Bendito Salvador e quão fácil é andar, seja por onde for, quando pomos a nossa mão na Sua Mão Omnipotente
Mas a pergunta foi: «Não te vi eu no Horto com Ele? O horto, para Pedro era de tristes recordações; foi aí que ele viu o seu Mestre preso como qualquer ladrão por uns homens munidos de espadas e varapaus e, ainda mais estranho, quando esperava que o Senhor resistisse destruindo-os com ó Seu poder, viu-O entregar-Se nas mãos daqueles homens, como se nenhum poder tivesse, e ser manietado, maltratado e desprezado por eles. Pedro não compreendia isso.
Além disso, quando tentara defendê-lo com a sua própria espada, fora repreendido pelo Senhor que, em, seguida, sarou o único que Pedro tinha podido ferir! Sim, aquele horto para Pedro era um lugar de frustração; haviam ficado sepultadas todas as suas esperanças, aí ficara desfeita a sua fé nAquele que ele esperava ir constituir um reino; o horto para Pedro era a sepultura do seu Herói e Rei. O horto era o único lugar em que não lhe agradava recordar o Seu Mestre.
Pedro não estava preparado para a vergonha da Cruz; estamos nós?
Se seguirmos o Senhor por onde quer que for, havemos de nos achar também em circunstâncias bem semelhantes, circunstâncias em que o confessar o Senhor só traz vergonha e sofrimento; Ele passa muitas vezes pelo horto e já não nos parece Aquele que tão maravilhosamente operava em outras circunstâncias e é difícil discernir qual o Seu propósito em tudo isso.
Vemos os incrédulos aparentemente a triunfar, a calcar aos pés tudo quanto para nos é sagrado, e o Senhor não intervém. Eles perguntam-nos com ar de escárnio, «Não te vi no horto ?Tu não estavas com aquele Jesus?” «Tu também és deles?”
Mas lembremo-nos de um outro horto - o do sepulcro vazio e da voz do anjo:
«Ele não está aqui já ressuscitou »
Autoria: Frank Smith
Refrigério n.º 126
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