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1. SIGNIFICADO DA EXPRESSÃO
Na Biblia encontramos duas palavras gregas: - “sophronismos” significa literalmente “mente santa”, e é traduzida como “sóbrio”, “temperado”, “discreto” etc. Refere-se a um carácter, formado segundo regras geralmente bem sustentadas pela presença do Espírito.
“Paidék,”-tem o sentido de “instrução”, “castigo”, “repreensão” e “correcção”. É traduzida na versão Almeida por “disciplina” (Hb 12:8); “correcção” (Hb 12:5, 7,11); “instrução” (II Tm 3:16); e por “doutrina” (Ef 6:4). Num sentido amplo a palavra significa treinar por meio de instrução ou correcção. Num sentido restrito, tem apenas o sentido de “correcção”.
É necessário distinguir:
“Disciplina de um individuo crente e de uma igreja local” - é uma acção pessoal do Senhor Jesus Cristo e é prerrogativa exclusivamente Sua.
“Disciplina exercida por uma igreja” - é a acção do Senhor Jesus Cristo, porem, mediante a igreja local e é uma responsabilidade muito séria da mesma.
A primeira é empregue para manter ordem dentro da “família de Deus”, porque os crentes são os Seus filhos, e estão dentro da esfera de “parentesco”. 1 Cor 11:29-32.
A segunda é empregue com a finalidade de manter ordem dentro da “casa de Deus” 1 Cor 5:1-13.
Devemos distinguir, também, entre o “juízo” de Deus infligido pela Sua justa ira sobre este mundo ímpio, e a “correcção” que exerce sobre os próprios filhos - Hb 12:5-13- Ap 3:19.
O estudo aqui cuida da disciplina feita por meio da igreja local.
A disciplina é acto dos mais necessários devido ao espírito de desrespeito à lei, e que esta penetrando dentro das igrejas, devido ao crescimento da carnalidade e consequente mundanismo entre os crentes. É o mesmo espírito que caracterizava os dias dos Juízes de Israel Jz 21:25.
Responsabilidade de uma igreja local:
a) Receber os verdadeiros crentes;
b) - Excluir da comunhão todo o crente culpado de notório pecado.
c) - Restaurar à comunhão os culpados que estiverem arrependidos.
Uma igreja não pode esquivar-se de uma destas responsabilidades, deixando a questão nas mãos de Deus (1 Cor 5:12,13).
A igreja em Corinto foi severamente reprovada por não ter agido prontamente num caso de notória imoralidade no seu meio. A igreja havia adoptado uma atitude de tolerância para com o mal e até se achava inchada, por possuir diversos dons espirituais. Quando uma igreja descuida a disciplina num caso de necessidade, ela desonra ao seu Senhor, entristece o Espírito Santo e mancha o testemunho da própria igreja. Os membros de uma igreja espiritual têm cuidado mútuo sobre o seu testemunho, sabendo que se um membro padece, todos os membros padecem juntamente com ele (1 Cor 12:25, 26)
2. PROPÓSITOS DA DISCIPLINA
Prov.12.1 Quem ama a disciplina ama o conhecimento, mas o que aborrece a repreensão é estúpido.
A disciplina não uma prova de fé, mas de conduta isto quer dizer que não tem por motivo decidir se uma pessoa é ou não crente (ITim 2:19). Também não é meio de uma igreja se livrar de um crente enfadonho. Antes, a igreja é mandada exercitar “paciência” para com os tais, e “graça”, orando por eles.
O alvo da disciplina é:
a) Restaurar o ofensor à comunhão com a igreja, logrando que o pecador dê conta da sua falta e se arrependa. II Cor 2:5-11; GI 6:1.
b) Manter a integridade da igreja diante de Deus como um “templo” digno da Sua presença no meio, e também diante dos homens, afim de remover toda a aparência de cumplicidade com o mal. I Cor 6.19.
c) Fornecer uma advertência a todos os santos para que um andar descuidado não termine numa queda.
d) Manter a Honra e a Santidade do Nome do Senhor pela remoção, quanto for humanamente possível, do opróbrio que o pecado lançou sobre Ele, diante do mundo. Se o pecado não for tratado com prontidão, espalha-se como o fermento (1 Co 5:6; GI 5:9).
A Lei da lepra dentro numa casa ilustra esta verdade. (Lv 14:33-41). O caso do pecado de Acã ilustra também pois apesar de ser feito por um só indivíduo, atingiu nas suas tristes consequências toda a congregação de Israel.
3. CASOS DE DISCIPLINA
Ao contrário de uma ideia corrente entre os crentes, a excomunhão não é a única forma de disciplina. A Bíblia ensina que a igreja somente deve lançar mão da excomunhão quando for o último expediente.
Vemos na Bíblia 7 categorias de pecado, alguns mais graves do que os outros.
A) A ofensa pessoal -Mat 18:15-20; Luc 17:3-4
a.1) A natureza da ofensa - trata-se aqui da questão individual, tal como
o falar mal ou infidelidade à confiança dispensada.
a.2) O modo de proceder - segue três passos. Não se trata de “excomunhão”. O irmão ofendido tem de pedir uma explicação ao ofensor. Se este reconhecer a sua falta e pedir perdão, ultima-se o caso e tudo fica terminado. Porém, convém notar a medida do perdão (M 18:21, 22, 35; Luc 17:4; Ef 4:32; Col 3:13). Se o primeiro passo falhar, então o ofendido tem de levar uma ou duas testemunhas com ele. Se não tiverem êxito, então a igreja tem de tratar o assunto e se o ofensor recusar escutar o conselho da igreja, então o ofendido e não a igreja deve tratá-lo como uma pessoa com quem ele não tem comunhão. Até o mal ser remediado não pode haver comunhão entre os dois. O caso relatado em Mat 5:22-24, é citado do ponto de vista do ofensor, quando sabe que outro irmão tem verdadeira causa de queixa contra ele.
b) O irmão surpreendido numa ofensa Gal 6:1
b.1) a natureza da ofensa - é um erro cometido repentina e inadvertidamente. Não se trata de uma pessoa que está seguindo um caminho do mal, mas que foi surpreendida por uma tentação, tropeça e cai.
B.2) O modo de proceder - procurar encaminhá-lo novamente. A palavra grega tem o sentido de reduzir uma junta deslocada, ou consertar uma rede rasgada (Mc 1:19; cf 1 Tm 5:20). Embora o versículo em 1 Tm 5:20 refira-se em primeiro lugar ao ancião, o princípio é o mesmo. A regra em tais casos é: se a ofensa foi particular, então a repreensão pode ser dada em particular, porém, se foi cometida em público, então a repreensão precisa ser pública também.
c) O irmão desordenado 2 Ts 3:6-15; 1 Ts 4:11-12. c.1) a natureza da ofensa - andar desordenadamente, especialmente sendo desobediente ao ensino da Palavra de Deus (v. 14. O tipo de desordeiro descrito ai é o importuno, que visita os crentes não para a sua edificação, mas para tagarelice. Um intrometido ocioso.
c2) modo de proceder - Ele precisa ser admoestado pelos anciãos (1 Ts 5:14) e, se não atender a admoestação, os crentes devem afastar-se dele, não se misturando com ele para que se envergonhe. (2Ts 3:6,14. Isto não é excomunhão, mas simplesmente uma diminuição da fraternidade (2Ts 3:15).
d) o irmão palrador --Tt 1:9,14; I Cor 14:26,29
d.1) a natureza da ofensa - desperdiçar o tempo dos irmãos com “ministério” sem proveito; conversação perniciosa, passando a vida criticando e gastando o tempo dos irmãos.
d.2) o modo de proceder - merece uma repreensão severa administrada pelos anciãos que são responsáveis perante Deus para impedir que os tais continuem. Descuidos nesse sentido podem resultar em contendas e até facções nas igrejas (Tt 3:9-11). A palavra traduzida “herege” neste trecho não quer dizer uma pessoa que nega a fé, mas uma que, obstinada, na sua própria opinião procura ganhar partidários, principalmente sobre questões de interpretação e doutrinárias não fundamentais. Tal conduta é facciosa e
pode terminar em divisão
e) o irmão promotor de dissensões Rom 16:17-20; Tt 3:9-11; At 20:30
e.1) a natureza da ofensa - causar divisões e promover ocasiões de
tropeço aos irmãos. Isso inclui os formalistas e outros que distorcem certos elementos da verdade bíblica.
e.2) o modo de proceder Em primeiro lugar o irmão deve ser repreendido pelos anciãos. Se esta produzir bom resultado a repreensão
termina o caso. Na eventualidade de a repreensão não ser atendida, os crentes são ordenados a notar tais pessoas e desviar-se delas (Rm 16:17); Tt 3:10).
Se este conselho divino fosse seguida todas as vezes que surgem tais problemas na igreja local, as divisões, tão tristes, seriam evitadas. Apesar da aparente união entre os irmãos da igreja em Corinto, existia o iminente perigo de divisão, devido a existência entre eles de partidos (1Cor 1:10-15). Tal condição é sinal de carnalidade (1 Cor 3:14). O diabo é o instigador deste mal, e a carne está sempre pronta a responder (Rm 16:20, 18). É instrutivo notar o duplo aviso dado aos anciãos e a sua dupla responsabilidade (At 20:28-31).
f) O irmão imoral-1Co5:1-13;6:9-10
f.1) a natureza do pecado - Pode ser uma grave queda moral, tal como temos visto no v. 11. A palavra “pornôs», traduzida aqui por “devasso”, abrange todos os casos de imoralidade sexual praticados; a palavra “avarento” inclui todos os casos de desejos ilícitos de ganhar, tais como, o jogo, a lotaria, a esperteza no negócio, etc. cf Ef 5:5; 11 Pd 2:14; Tm 6:9-11.
A palavra “idólatra” abrange a feitiçaria ou qualquer forma de espiritismo. A palavra “maldizente” inclui o caluniador, o difamador e também aquele que é dado a fazer acusações falsas. O “beberrão” é a pessoa que é habitualmente intemperante e não uma pessoa que por descuido ou por fraqueza eventual, uma vez ou outra
fica intoxicada.. O “roubador” abrange várias formas de desonestidade, tais como a má apropriação de propriedades ou de fundos, a fraude, a exploração, especialmente de pobres (Tg 5:1-6).
f.2 o modo de proceder - A expressão “Tirai pois dentre vós” significa uma rejeição formal de comunhão com a igreja, e não apenas da Mesa do Senhor. Importa em afastar todas as relações com tais pessoas (vs 11-13).
Porem uma tão rigorosa, da parte de uma igreja local, somente deve ser tomada depois de uma investigação cuidadosa de todos os
pormenores. O pecado na igreja em Corinto era aberto e os factos bem conhecidos e por isso não havia possibilidade de injustiça. Por este meio o culpado é voltado à esfera do mundo, onde Satanás tem poder, e fica exposto aos ataques do inimigo (v. 5; 1 Tm 1:20; II Tm 3:25-26). No caso em Corinto, a disciplina da igreja foi eficaz e o culpado, muito arrependido, voltou à comunhão da igreja. II Cor 2:1-11.
g) o ensinador de doutrina falsa - II Pd 2:1-3; II Jo 9, 11; 1 Tm 4:1; II Cor 11:13-15
g.1) a natureza do pecado -A propagação de doutrina falsa. Este é um erro fundamental. Sempre devemos ter em mente que qualquer doutrina, torcido o seu sentido bíblico, toma-se heresia.
g.2) o modo de proceder - É o mesmo aplicado à imoralidade, porque trata-se de “fermento” que precisa ser “limpo” do meio da igreja (Gl 6:9; 1 Cor 6:6,7). Note-se que a acção dos apóstolos é a mesma em ambos os casos cf 1 Cor 5:5; II Tm 2:18; 1 Tm 1:20. A comunhão dos membros da igreja com tais pessoas não é permitida (II Jo 9-11).
4. PRINCIPIOS GERAIS DE DISCIPLINA
a) A imparcialidade e a equidade devem ser mantidas sempre. O padrão cristão é mais elevado do que a justiça do mundo (2 Cor 6:2,3). Ao julgar um caso, é necessário excluir com rigor qualquer parcialidade (1 Tm 5:21; Tg 3:17; 2:1-4). Nem o facto de o acusado ser parente, nem a amizade, devem influenciar a decisão (At 15:36-39).
b) A ordem bíblica deve ser rigorosamente seguida. A excomunhão de uma igreja ou de um grupo de igrejas não é conhecida na Bíblia. A igreja de Corinto, que era muito carnal, não foi, por isso, excomungada. Somente Jesus pode remover do seu lugar um “castiçal” (Ap 2:5; 3:16).
No caso de uma igreja tolerar Imoralidade ou doutrina falsa, pode acontecer que crentes fiéis ao Senhor Jesus sintam-se obrigados a afastar-se da mesma, como somos mandados apartar-nos de pessoas que andam desordenadamente. Tal passo não deve ser tomado enquanto todos os meios não forem experimentados para remediar o mal. O afastamento dos crentes de uma igreja, não deve verificar-se leviana nem precipitadamente mas somente depois de muita oração por parte dos crentes, à procura da vontade de Cristo.
c) Decisões tomadas pela Igreja devem ter o leal apoio de todos os seus membros
Como regra geral, nenhuma igreja deve receber em comunhão um irmão já disciplinado por outra igreja. Se tal irmão pedir comunhão, os anciãos devem se entender com a igreja que o disciplinou. Receber um irmão disciplinado, sem mais nem menos, é subversão dos princípios divinos e poderá provocar uma ruptura nas relações entre as duas igrejas.
d) Afastamento das reuniões por parte de um irmão acusado.
O facto de um Irmão acusado de pecado ter-se afastado das reuniões, não exonera a igreja da responsabilidade de julgar o caso.
e) A restauração do disciplinado
A disciplina deve sempre objectivar a restauração do disciplinado. Todavia, é importante lembrar que antes que a restauração à comunhão com a igreja seja considerada, o irmão disciplinado deve procurar obter, por meio de sincero arrependimento, a comunhão com o seu Senhor, que havia sido cortada devido ao pecado. Antes que a igreja local receba novamente em comunhão um irmão disciplinado, ela deve exigir provas cabais de verdadeiro arrependimento. No caso de haver sincero arrependimento as Escrituras ensinam que deve ser removida a disciplina (2Cor 2.5-11).
Jayro Gonçalves
Refrigério 127
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