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18 De Janeiro de 1923 - 14 De Setembro de 2007
“Pela vida e testemunho que me deixou, escrevo a biografia de meu marido em sua memória.”
Nasceu a 18 de Janeiro de 1923 na maternidade em Coimbra. Sua mãe, Ana Roque, era filha de lavradores e seu pai, João Pedro de Oliveira, inspector de tracção dos caminhos-de-ferro da CP.
Sua terra natal era Granja do Ulmeiro, onde fez os primeiros dois anos da escola primária, fazendo os restantes anos na Figueira da Foz, com sua irmã mais velha, esta professora primária. Na mesma cidade fez o Curso Industrial. Por motivo dos seus estudos, seus pais foram residir para esta cidade.
Após o falecimento de seu pai, Vítor Hugo, com 17 anos regressou com sua mãe à terra natal.
Vindo de uma família de tradição católica, ele se julgava como tal, pertencendo assim à juventude católica. Foi nesta idade e situação social que de novo nos encontramos.
Apesar dos meus 16 anos, já conhecia o Senhor Jesus e Ele me ajudou a ser firme na fé e a poder-lhe falar no Deus em Quem eu cria.
Iniciou a sua carreira ferroviária na estação da Figueira da Foz, cidade que tanto gostava.
Sempre que me encontrava, ou fazendo por isso o assunto era sempre o mesmo tendo por base a religião. E assim dois anos se passaram. Foi muito difícil a sua conversão querendo conhecer e entender os erros doutrinários à luz da palavra de Deus. Começou a ler a Biblia que lhe ofereci, e Deus fez a obra. O Espirito Santo abriu a sua mente e coração, e assim ele aceitou Jesus. E agora sim, já um novo Vítor Hugo começámos a namorar.
Saindo da estação da Figueira, passou por Guarda e Pampilhosa.
Foi para o serviço militar em 1943, este feito no Entroncamento em Lisboa, passando à disponibilidade em 1946. Fazendo parte do grupo desportivo, da terra, onde era defesa, veia a abandonar quando jogos e treinos o impediam de ir aos cultos. O vicio do tabaco também deixou e este de uma forma não muito vulgar os bailaricos etc. Tudo o que num jovem sem Cristo é natural. Tinha um temperamento colérico que o Senhor a pouco e pouco foi modificando.
A simpatia, delicadeza e honestidade foram constantes na sua vida e ouvidas na hora da sua partida.
Foi baptizado em Março de 1946, pelo saudoso pastor Teodoro Augusto da Silva. Tendo feito o pedido de casamento a dezoito de Janeiro de 1947, assim eram as regras, ficou marcado o casamento para 5 de Abril do mesmo ano. A cerimónia foi realizada pelo pastor já mencionado, na Casa de Oração da Granja do Ulmeiro.
Embora novo na fé, foi muito bem acolhido pelos crentes, e a pedido do pastor iniciou a reunião de oração. Os seus conhecimentos bíblicos não eram muitos, mas sempre dava uma meditação.
Teve a grande alegria de ver o Senhor operar nestas reuniões, na conversão de uma família da qual o marido já partiu, mas os restantes ainda se encontram no nosso meio.
A seu pedido, foi colocado na estação Coimbra B, quando a oito de Setembro de 1948, nasce o João António, bebé lindo e que veio trazer tanta alegria ao lar.
Homem saudável, no entanto, aos 26 anos, em 1949 começa a sofrer do estômago, tendo sido operado ao apêndice julgando os médicos ser essa a causa do seu sofrimento. Não melhorou, e assim depois da sua falta de forças e palidez, é-lhe detectada uma úlcera duodenal já a sangrar há tempo. Volta para o hospital onde esteve bastante mal, correndo o boato que ele tinha morrido.
A sua fé era débil mas a sua saúde não era menos. No entanto, orava e pedia as orações para que Deus lhe deixasse criar o filho. Após vinte dias internado no hospital, saiu com muita medicação e grande dieta. Em Junho de 1955 volta a piorar e desta vez com duas hemorragias uma às 13 horas e outra às 18 horas; e se lhe desse a terceira, não resistiria, disse o médico à senhora que estava comigo. Desanimado mas acreditando que Deus o iria ajudar ele continua a orar. Cinco dias são passados. A 25 de Junho de 1955 nasce a Ana Maria. Vítor Hugo estava de cama, muito fraquinho, mas a alegria estava no seu rosto quando disse: “Obrigado, meu Deus, por esta menina!”
Não mais tomou medicamentos. Foi a Lisboa a um ervanário que receitou um chá para ele tomar três vezes ao dia, continuando assim com a dieta.
Um ano mais tarde, ou seja em 1956 foi promovido para Couto de Cucujães. Ainda não havia Igreja em Cucujães nem em Couto, pois esta é bastante recente.
O único culto que podia assistir era às 9h da manhã em Oliveira de Azeméis, onde ia com a família.
Em Cucujães, sua estação de trabalho, pôde dar o seu testemunho, não só aos colegas como ao público que ia despachar as mercadorias, pois tinham uma linguagem imprópria, ele os ia advertindo e deste modo iam espreitar e diziam: “É o senhor Vítor Hugo, cuidado que ele não gosta da maneira como falamos.”
Depois de cinco anos, a seu pedido, vem para a estação de Ovar, melhorando assim a sua assistência aos cultos, começando a cooperar com o saudoso irmão Viriato Sobral e Joaquim de Oliveira (Garcia, ancião desta Igreja).
A pedido do irmão Adolfo de Oliveira, coopera nos trabalhos da área do Vouga. Usava para estas viagens uma lambreta chegando a casa, em dias de Inverno, gelado e por vezes encharcado. Mas ele se alegrava em poder assim servir o seu Senhor.
Falando de Cristo aos seus colegas e ao seu chefe, lhes entregava folhetos. O chefe, na altura era o senhor Pereira, bom homem, mas ateu. Um dia, veio com um saco, e chamando o Vítor Hugo, vai junto do cais da estação, deita no chão toda a literatura recebida e faz com ela uma fogueira. Vítor Hugo permanece sério, olhando o que estava a acontecer. Depois de tudo estar em cinzas, e disse: “Vítor Hugo você não diz nada?” - ao que respondeu: - “Se eu fosse buscar toda a literatura que o senhor recebe clandestinamente o que é que diria?”
O chefe sem palavra dá-lhe um abraço e retira-se. No outro dia quando me viu disse:
- Tinha grande estima pelo marido da senhora, mas ontem eu quis fazer uma experiência. De facto o Vítor Hugo vive o que fala, a maneira como agiu ontem, me deixou deveras admirado.
Quando parecia que a sua saúde ia bem, voltou a sangrar a úlcera. O saudoso Dr. Mário Cunha, que tinha uma grande simpatia por ele tenta convencê-lo a ser operado. A 5 de Maio de 1962, ele é operado no Hospital de S. João, no Porto. Apesar de 6 horas na operação, pois sendo a úlcera de origem nervosa, eles lhe eliminaram os nervos no estômago. Pelo favor de Deus, correu bem e passado dez dias veio para casa, ficando bastante débil. Como a estação de Ovar era bastante trabalhosa, pede para mudar para Valadares. Esta, sendo menos trabalhosa e com a vantagem da casa ser na estação, facilitaria a sua convalescença, pois tinha de comer de duas horas e meia em duas horas e meia.
Agora em Valadares, foi muito bem recebido pelos crentes especialmente pelos queridos irmãos Carlos Alves e esposa, que já conhecíamos. Aqui também teve o privilégio de colaborar com o irmão Carlos e o saudoso irmão Eric Barker sendo este o ancião responsável por este trabalho. Mais tarde, veio a ser ancião por vários anos.
Promovido a factor de 1ºclasse, vai para Campanhã, não mudando de residência. É aqui que ele tem a grande alegria de falar de Cristo ao querido irmão Catarino e ver não só a sua conversão, mas também a da sua esposa e filhas, que têm sido uma bênção no meio evangélico.
Agora um novo marco é posto na sua vida. Em Dezembro de 1967 com a visita dos irmãos Srº Sobral e o Srº Doolan, somos convidados para ir viver para o hoje chamado Centro Bíblico de Esmoriz. Não pagando salário, apenas a luz e o gás, não é isso que importa para o meu marido. A decisão viria do Senhor, pois como devem compreender, não é fácil tomar esta decisão. Implica uma mudança muito grande: o trabalho em Campanhã, os filhos a estudar em Vila Nova de Gaia, tendo transportes à porta, e outras coisas a considerar. E a resposta foi: “Vamos orar sobre o assunto e esperar a resposta de Deus.”. Estes irmãos puseram-nos também à vontade e eles mesmo iriam orar nesse sentido. Depois de consultarmos os nossos filhos, louvamos a Deus pela resposta por eles dada, isto é: foi o João António que como jovem falou: “Vai ser difícil para nós, visto termos a escola perto e os transportes também, no entanto queremos acompanhar os paizinhos para onde o Senhor vos mandar.”
Ficámos a orar para que o Senhor nos desse a resposta. A 16 de Janeiro de 1968, a resposta veio ao meu marido com um “Sim”.
“Gostaria de compartilhar o meu testemunho, pois o Senhor só me deu a resposta no dia 18 mas ficará para uma outra altura num outro contexto.”
Assim se começaram os preparativos. Humanamente falando, o meu marido não teria hipóteses nenhumas para ser colocado na estação de Esmoriz. Mas ele fez o pedido. O Senhor permitiu que um problema na vida de um seu colega, permitisse ao meu marido, milagrosamente, ser colocado lá. Esta estação era pouco pretendida, pois era muito trabalhosa. Os seus colegas, ao terem conhecimento da sua ida para o Centro Bíblico e da sua colocação em Esmoriz, muito admirados disseram:
“Grande padrinho tu arranjaste, Vítor Hugo!”
Respondendo, disse: “É verdade. Não há ninguém com mais poder do que o Deus a Quem eu amo e sirvo.”
E assim, em Junho do ano de 1968, chegámos para viver no Centro Bíblico de Esmoriz. Lá, estávamos isolados. Só existia o campo de futebol, e o resto era pinhal, como muitos se devem lembrar. A estação era longe, os turnos de serviço eram de doze em doze horas: da 1:00h às 13:00h ou das 13:00h à 1:00h.
A água era imprópria para consumo. O meu marido ia buscá-la em bidões de 20 litros, numa lambreta, a um poço, no meio do pinhal, onde residia o guarda-florestal. E de Inverno? E a chover? Tantas vezes ele recordava. Mas o Senhor o gratificou vendo essa família salva, Família Pinho. Algumas vezes os bidões lhe caíam, pois tentava trazer dois de cada vez. Assim, percebeu a necessidade de comprar um carro e surgiu a oportunidade de comprar um ao nosso padeiro: um Opel, com a matrícula FE. Vendeu a lambreta e o resto do dinheiro, foi o saudoso irmão Joaquim Oliveira que emprestou, sem juros. Com este novo meio de transporte já podia trazer quatro bidões. Então começou a ir buscar a água a um poço no quintal do chefe-de-lanço, junto à estação. Enquanto os bidões enchiam, ele falava do seu Senhor e assim teve a alegria de ver não só o casal, mas também os seus dois filhos a aceitarem o Senhor Jesus - a Família Vivas.
Mas o inimigo está sempre pronto a fazer tudo para desencorajar a fé dos filhos de Deus. Um dia, vindo da vila de Esmoriz (hoje cidade), com o carro, carregado. Ao atravessar a passagem de nível, estando esta aberta, é apanhado pelo comboio. O carro ficou danificado, a tampa da mala saltou fora, mas o Vítor Hugo nem uma arranhadela. “Obrigada ó Deus por esta prova de protecção.”
Mais tarde, o seu testemunho contribuiu para a conversão de um jovem, filho de um chefe de distrito, o Jorge.
Os acampamentos iam decorrendo ano após ano, mesmo quando o irmão Doolan se ausentou devido à saúde da sua esposa, deixando o cargo de Director.
Assim a comissão lhe faz mais um desafio: o de dirigir os acampamentos. Foi difícil para ele continuando a trabalhar doze horas por dia e ter que organizar e atender às necessidades da manutenção do acampamento. As suas férias eram gozadas na altura dos acampamentos e como não chegavam, trocava com os colegas e assim fazia os turnos da noite. Desta feita, pouco ou nada descansando durante o dia.
Duas vezes desistiu de ir a exame para chefe. Embora lhe trouxesse vantagens financeiras e profissionais, no entanto, levá-lo-ia a ser colocado noutra estação do Minho ao Algarve. Mais tarde e por insistência de um dos seus chefes, que lhe disse:
- Você podendo ser o chefe da estação quer estar às ordens de quem é mais novo e menos competente?
Decidiu e foi. No entanto tinha um propósito: se ficasse bem e fosse promovido não aceitaria a promoção, pois o seu dever era estar ali onde o Senhor o colocou. Ficámos orando. Foi a exame. Ficou bem. Foi promovido e ficou na mesma estação. As duas vezes que desistiu não alterou o seu escalão profissional. Esta foi a recompensa da sua fidelidade. Glória ao nome do SENHOR!
Mais tarde, o SENHOR lhe deu a felicidade de levar a Cristo o seu barbeiro, o irmão Ferreira.
Em 1974, trocou o Opel por um Fiat 127 novo. Três meses depois, em Junho a caminho de Valadares, ao chegarmos a Espinho tivemos um acidente: o carro capotou e ficou bastante danificado. Como estávamos a pagar o carro a prestações, não tínhamos condições financeiras para o mandar arranjar. Com os acampamentos à porta e sem carro, era impossível continuar. Foi o irmão Joel de Almeida que se disponibilizou, vindo com a sua carrinha, já velha, a ajudar nos acampamentos desse ano. Esta prova contribuiu para a fé aumentar, pois exercitou-a.
Orámos muito pois o carro não só era necessário nos acampamentos de Verão, mas também para o trabalho com os movimentos como tínhamos movimentos como A.P.E.C., G.B.U. e algumas Igrejas que vinham fazer retiros.
Foi maravilhoso como Deus providenciou. Os crentes ao saberem do acidente, começaram a enviar ofertas (muitas delas anónimas) e será aqui uma boa altura de a esses agradecer. A maravilha foi, que, não sabendo, na altura o preço do arranjo do carro, pela fé mandámos arranjá-lo. Quando foi à oficina pagar o arranjo, verificou que o custo era de 28000$00, e as ofertas tinham sido de 25000$00. Isto, irmãos, é o que o nosso Deus faz.
Por vezes era difícil conciliar o trabalho, na estação e as actividades no Centro Bíblico. As actividades no Centro Bíblico iam aumentando. Para além dos acampamentos, no Verão, outros grupos usavam o Centro Bíblico para retiros, acampamentos, conferências e mini-cursos. Então, tinha que recorrer, várias vezes ao médico para este lhe conceder algum tempo de baixa durante as actividades, o que lhe era concedido pelo seu médico e amigo, devido à sua saúde tão frágil, mas isso não lhe dava o direito de poder sair livremente de casa. Assim ele prometeu ao SENHOR que quando atingisse a reforma nem mais um dia trabalhava. Prometeu e cumpriu.
Em Agosto de 1979 ficou aposentado. Foi em má altura, pois com a aposentadoria o salário não viria durante vários meses. A filha estava a estudar no Instituto Bíblico Português e teria de continuar a pagar os estudos naquela escola. «Vai ser difícil!», dizia, mas em tudo continuou a confiar no Deus que sempre cumpre as Suas promessas, pois é Fiel.
Com o decorrer dos anos, as suas forças enfraquecendo e a sua saúde se debilitando, tornava-se urgente sair do Centro Bíblico. Para isso era necessário encontrar alguém para continuar o trabalho: gente mais nova, mais dinâmica, mais apta para este trabalho. Foi dado conhecimento à Comissão dessa necessidade, ficando a orar sobre este assunto mais dois anos.
Um casal se levantou para o trabalho.
Foram vinte e cinco anos de trabalho, de preocupações, (não poucas!), mas também de muitas experiências, muitas bênções e grandes lições. A Deus toda a honra e glória!
Deixámos o CBE em 1992. Viemos para a terra, para uma casa pequenina que pertencia à sua mãe e a casa dos nossos primeiros anos de casados. Por isso colocámos na frente, à porta, um azulejo dizendo “Recordar é Viver”.
Embora estivéssemos bem, o nosso coração ficou no Norte.
Aqui viemos encontrar os crentes, velhos amigos, mas a igreja que tínhamos deixado há cerca de trinta anos atrás não foi a que encontrámos. Sendo hoje ecuménica, o seu pastor Manuel Pedro Cardoso nos recebeu muito bem e tanto ele como a esposa sempre foram uma simpatia para nós. Quando declarámos a razão pela qual não iríamos fazer parte como membros da Igreja ele compreendeu e aceitou.
Meu marido tinha, por este trabalho, um carinho especial pois foi nesta terra que ele se converteu e onde cooperou durante alguns anos. O terreno onde a capela está construída foi comprado quando ainda aqui vivia. O SENHOR o ajudou a falar aos donos do terreno a darem 1 metro de terreno a todo o comprimento dando assim espaço para a sua construção.
Assistíamos aos cultos ao domingo de manhã. Procurámos, então, uma Igreja onde pudéssemos pertencer como membros. Não foi difícil. Começámos a assistir aos domingos de tarde em Casa Velha - Soure. Ficando a 14 quilómetros da nossa casa, enquanto tínhamos carro foi fácil a nossa deslocação. Encontrámos ali o carinho e o amor daqueles irmãos. Também ainda fomos bastantes vezes aos cultos, à terça-feira à noite, a Coimbra - Sota.
Entretanto, a sua saúde agravou-se. Algo lhe foi detectado nos intestinos depois de uma colonoscopia. Foi operado no Hospital da Universidade de Coimbra, ficando bem, pela Graça de Deus.
Ainda cooperou dando a mensagem em Casa-Velha. Mas a 19 de Agosto de 1998 tivemos um grande acidente. Embora meu marido nada sofresse fisicamente o seu cérebro ficou bastante afectado. Ficámos sem carro, pois foi vendido para a sucata. Chegou o inverno e com ele o frio e a chuva, dificultando as nossas deslocações sem carro. Mas, logo o amor de Deus nos corações dos Seus filhos possibilitou a nossa ida aos cultos.
Quero aqui deixar um grande agradecimento ao casal Gonçalves e à Belinha Marques. Para esta irmã um obrigada especial pelo seu carinho e dedicação com que sempre tratou o meu marido, não esquecendo nunca, as boas pipocas que ele tanto gostava.
A sua saúde ia piorando e foi nesta altura que ele foi operado à prostata no Hospital dos Covões, em Coimbra, correndo tudo muito bem. Passado algum tempo começou a ficar muito esquecido. Querendo orar faltavam-lhe as palavras, para além de que ia ficando muito trémulo. A saúde foi ficando mais fragilizada com o tempo. Assim, em Março de 2007 fomos passar algum tempo a casa da nossa filha no Porto S. Mamede de Infesta.
Depois fomos passar o verão a nossa casa, na terra, com planos de voltarmos a casa da nossa filha em Setembro. Mas os propósitos do SENHOR não são os nossos. Antes de voltarmos, resolvemos ir às urgências visto a nossa médica de família estar de baixa já há algum tempo. Na 2ª feira, dia 10 de Setembro, tendo ido a uma consulta normal, foi mandado fazer uma TAC. Enquanto esperávamos o resultado e estando sentado ao meu lado, perdeu os sentidos, acontecimento único em toda a sua vida. Foi logo socorrido, reanimou rapidamente então perguntou:
-“ Quem me deitou aqui?”
Contei-lhe e ele respondeu:
-“Se o SENHOR me tem levado não dava por nada.”
Chegou o resultado da TAC. Estava tudo bem, mas volta a perder os sentidos. Novamente foi socorrido e voltou a ficar bem. Porém o enfermeiro veio e disse:
-“ O senhor Vítor Hugo vai ficar connosco esta noite em observações. Ele ficou e eu voltei a casa. No dia seguinte, quando eu e a minha filha nos preparávamos para o visitar, tivemos a informação do Hospital de que não o poderíamos ver. No dia seguinte, 4ª feira, fomos ao Hospital tentar saber o que se passava. Deparámo-nos com um cenário bastante preocupante: estava entubado, ligado a máquinas, não abriu os olhos, não deu por nada, mesmo quando lhe retirámos a aliança e o relógio. Como estava no Serviço de cuidados intensivos, não podíamos estar muito tempo. Fiquei desolada. Voltámos para casa. Meu filho e família foram visitá-lo nessa noite e ele já os conheceu. Oraram com ele. Ficamos animados. No dia treze voltamos e desta vez já nos conheceu. Falei com o médico que me animou dizendo que ao outro dia já poderia estar ao pé dele o tempo que quisesse, pois à noite iria para a enfermaria. Voltei para junto dele enquanto a filha ainda ficou a falar com o médico que sabiamente deu a entender o estado grave em que se encontrava. Saiu desiludida mas nada me contou na altura. Durante o bocadinho de tempo que pudemos estar com ele, e que foi o último, pudemos escutar três frases, embora com dificuldade, pois tinha algo na boca que o dificultava falar:
Primeira: “ Dá-me um beijo. “
Segunda: “ Quando vou para a nossa casa? “
Terceira: “ Eu sei que o meu SENHOR está sempre comigo.”
Devido à nossa idade falávamos várias vezes sobre como iria ser quando o primeiro partisse. Ele sempre dizia: “ Quanto a mim, não tenho problemas pois o SENHOR me vai levar primeiro.”
Há três maneiras de Deus responder às orações dos seus filhos: Sim- Não- Espera
12 de Setembro de 2007
Horas e dias difíceis
Pois DEUS me está a provar
Penso a todo o momento
No grande sofrimento
Que meu marido está a passar
Entrego-te nas tuas mãos
E te suplico SENHOR
Vem pela tua graça e poder
Tua mão para ele estender
Ó Bendito Deus de amor
Estende tua mão e cura
Pois em Ti está o querer
Nada é difícil para ti
Pois tudo Tu podes fazer
Não te peço em meu nome
Pois afinal quem sou eu?
Mas em nome do teu filho amado
Esse que é e será exaltado
Te peço este favor
16 de Setembro de 2007
A minha oração Tu SENHOR ouviste
Mas a tua resposta foi Não
Embora eu ficasse chorando
Ele na glória me está esperando
Aceita ó DEUS a minha gratidão
Alicínia da Graça Salgueiro
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