10-Mar-2010
Estatísticas
Visitas: 136607
On-line:22 visitantes
Sabedoria louca Imprimir

 

Sabedoria louca - vitória em aparente derrota

Introdução:
A nossa sociedade vive a cultura do sucesso. E o sucesso mede-se por ser melhor, na escola (seja o mais popular, o que veste bem, o que tem mais miúdas, etc), ou no trabalho (seja o que tem mais influência nas chefias de topo, a melhor posição, o que ganha mais) por isso há tanta competição, ou mede-se pelo que se tem, por isso, muitas pessoas gastam o dinheiro que não têm, para comprarem coisas de que não precisam, a fim de impressionarem pessoas de quem não gostam.
Mas reflictamos sobre o que realmente conta na vida: considerem 2 tipos de filme: Rádio, o filme de 1 rapaz com atraso mental, que todos gozavam, que vinha espreitar os jogos e de quem os jogadores faziam gato/sapato, mas o treinador de futebol que se deixa tocar pelo seu sofrimento, aproxima-se, entra no seu mundo, apoia-o, começa a dar-lhe pequenas tarefas, e reabilita-o completamente em termos de vida profissional e como pessoa. Tem uma carga emocional grande, devida à sua humanitude, prende a atenção e provoca reflexão aos espectadores, mas já um Schwarzeneger, a lutar contra dezenas de soldados, matando-os e vencendo, pode empolgar alguns adolescentes com impulsos conflituosos, mas não comporta beleza nenhuma, não emociona ninguém nem motiva a nada de proveitoso na vida.
É verdade que a sociedade cultiva a faceta humana do sucesso. E como vivemos nela, já nem notamos que absorvemos os seus valores.
Vamos estudar sobre isto em I Cor 1:18 a 25.

I - A mensagem era louca
Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus.
A palavra da cruz é a pregação do evangelho e essa mensagem não agrada aos que "perecem. Eles em sua sabedoria mundana, não vêem sentido nela, é absurda. Mas há um enorme contraste entre perdidos e salvos, os que estão sendo salvos não têm ainda toda a sabedoria do céu, mas têm uma nova vida do espírito que habilita a avaliar as coisas espirituais, por isso percebem o Evangelho, ao passo que os que perecem são cegos para as coisas espirituais. Sendo sabedoria o oposto de loucura, esperava-se que Paulo falasse do Evangelho como sabedoria de Deus. Mas, como em Rm 1:16, ele chama-lhe poder. Não é só um bom conselho aos homens, a dizer o que devem fazer, nem uma mensagem sobre o poder de Deus. O Evangelho é o poder de Deus, é expressão com maior força, que choca mais e aparenta mais loucura, Cristo morto é O poder!
Porque está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios, E aniquilarei a inteligência dos inteligentes.
O argumento é reforçado com a Escritura, Is 29:14, mostrando que, desde sempre, o método de Deus contrasta com o método sugerido pela sabedoria dos homens. Os homens sempre acham que o seu método é o certo (Pv 14:12), mas Deus refuta a sua sabedoria, reduz a nada os seus sistemas e revela a verdadeira sabedoria. Não há aqui muita diferença entre sabedoria e inteligência, o que importa é que nem uma nem outra podem suster-se diante de Deus.

Onde está o sábio? Onde está o escriba? Onde está o inquiridor deste século? Porventura não tornou Deus louca a sabedoria deste mundo?
Usa uma serie de questões retóricas para destruir o ponto de vista. É possível que o sábio indique o sofista grego, o escriba, o intérprete judeu da lei, e o inquiridor deste século, seja uma expressão geral para ambos. Servem para descrever os cultos e perspicazes, segundo a sabedoria do mundo. A ideia da natureza transitória da sabedoria humana está no emprego de aion para século, em vez de kosmos. Este mundo é um espectáculo passageiro, como a sua sabedoria. Deus não só desconsiderou a sabedoria, tornou-a louca. Não deixa dúvidas quanto à rejeição divina de tudo quanto repouse numa base de sabedoria meramente humana.

 Visto como na sabedoria de Deus o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação.
Não era possível aos homens, pelo exercício da sabedoria, alcançarem o conhecimento de Deus. Assim, na Sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os homens por meio da cruz, e por nenhum outro meio. Aprouve fixa-se na soberana escolha de Deus. Aprouve-lhe revelar-se de maneira completamente diferente.
Paulo expõe, de forma inesperada, o que é a loucura. Para o homem natural a pregação do evangelho não faz sentido. A palavra traduzida por pregação, kerugmatos, quer dizer o conteúdo da mensagem. Não é pregar que é loucura, é o Evangelho, a mensagem de que Deus salva os homens por meio de um Salvador crucificado!

II.  Explicação: A loucura é afinal uma nova ordem
 Porque os judeus pedem sinal, e os gregos buscam sabedoria;
Com a exigência dos judeus por um "sinal" e a busca dos gregos por sabedoria, expõem-se as características das duas nações. Na história, os judeus eram dados a factos, exigiam provas. Pensavam em Deus manifestando-se na história com sinais e maravilhas. À luz disto, exigiram um sinal do Senhor (Mc 8:11, 12). Esperavam 1 Messias credenciado por extraordinárias manifestações de poder e majestade; que os libertasse dos Romanos e restituísse a grandiosidade e orgulho nacional, logo, um Messias crucificado era inaceitável.
Os gregos embebiam-se na filosofia especulativa, ninguém era mais honrado do que os seus pensadores proeminentes. Das elevadas alturas da sua cultura, olhavam para baixo, e achavam bárbaros os que não apreciavam essa sua sabedoria. Orgulhosos da sua agudeza intelectual, não achavam lugar para o Evangelho. A "alta percepção intelectual dos filósofos gregos" e a "nobreza dos seus escritos" era obstáculo a este rumo de humilhação, de derrota aparente.

 Mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos.
Paulo coloca em contraste com isso (mas) a pregação de Cristo crucificado. Para os judeus isso é inaceitável, o Messias crucificado é uma impossibilidade total, um escândalo / pedra de tropeço / ocasião de ofensa. E não é melhor com os gregos, é loucura, insensatez sem remédio. Deus jamais agiria de semelhante modo! A designação de gregos cabe a gentios em geral, e é utilizada para incluir a humanidade inteira na rejeição do Messias crucificado.
Como se pode aceitar que o Deus criador do Universo, Senhor absoluto e majestoso, seja aquele que se sujeita a toda a história humilhante da vida de Jesus? Como pôde aceitar seu nascimento, vida humilde, ser cuspido, torturado pelo chicote quase até à morte, morrer pregado na cruz, de modo maldito para a cultura da época, para assim vencer? Como pôde aceitar sofrer tanto, mostrar amor a quem lhe desobedece, e a quem o odeia? Que plano esquisito e sem sentido. E agora, o nobre homem não tem nada para fazer, nem mérito na sua salvação, só humildemente aceitar um Deus que pensa e age de modo tão esquisito / diferente!

Mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, lhes pregamos a Cristo, poder de Deus, e sabedoria de Deus.

Mas se o homem natural, rejeita a mensagem da cruz, o que é chamado por Deus acolhe-a. Relevante é serem chamados por Deus, tudo mais é sem importância. Trata-se do chamamento eficaz, implica que foi ouvido e obedecido. Os chamados sabem que o Cristo crucificado é poder. Antes não podiam dominar o pecado, agora podem, Cristo é o poder de Deus. Ele é também a sabedoria de Deus. A passagem é sobre sabedoria. Os coríntios davam-lhe valor, e a cruz, que não parece mais que uma loucura, provou ser o poder, nela o pecado foi derrotado. Também provou ser a sabedoria de Deus. A sabedoria do mundo não podia encontrar Deus. A cruz revelou Deus e deu aos homens o poder de que precisavam. Quanto à busca de sabedoria, a tal "loucura" de Deus provou ser afinal a verdadeira sabedoria.
 Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens.
Aquilo que o homem orgulhoso chama de loucura, é mais sábio do que os homens. O Messias sofredor, pendente da cruz, parece fraco. Mas é a fraqueza de Deus que Ele exibe, e esta é mais forte do que os homens, e do que qualquer coisa que possam produzir.
Os judeus, que buscavam sinais, estavam cegos para o significado do maior sinal de todos, o poder do amor que foi exibido diante deles. Os gregos amantes da sabedoria, não puderam discernir a mais profunda sabedoria quando foram confrontados com ela.
Esta é afinal uma nova ordem, uma nova forma de ver a existência e logo as relações, um novo paradigma, de amar e dar-se humilde e totalmente a quem não merece.

III - A nova ordem traz consequências - Os crentes devem seguir a humildade
Porque, vede, irmãos, a vossa vocação, que não são muitos os sábios segundo a carne, nem muitos os poderosos, nem muitos os nobres que são chamados.
Reparem na vossa vocação ou chamamento. Deus escolheu operar as Suas maravilhas através de pessoas que eram as menos prometedoras. Por isso não são muitos sábios segundo a carne encabeça a lista. A sabedoria era o foco desta discussão toda. Os coríntios tinham a reverência típica grega pela sabedoria. Mas Paulo rejeita decididamente isto como o critério pelo qual Deus escolhe os Seus. Poderosos é termo para as pessoas mais importantes. De nobre nascimento aplica-se a família ou berço nobre. As coisas que elevam o homem no mundo, influencia, classe, não são as que levam a Deus e à salvação. Não há mérito nos salvos.

Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir os sábios; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes; 28 E Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as desprezíveis, e as que não são, para aniquilar as que são;
A repetição “escolheu”sublinha o propósito de Deus. A atenção foca-se na loucura associada àquela escolha para o padrão usado por nós. "Confundir" significa envergonhar, pelo contraste entre a avaliação que os sábios fazem de si e a que a escolha de Deus revela.
Coisas vis, significa de baixo nascimento é oposição directa a nobre nascimento, do v. 26. Desprezíveis é forte, significa "tratadas como sem valor". Mas "as coisas que não são” é muito mais forte. A actividade de Deus nos homens é criadora, Ele toma aquilo que não é nada e faz disso o que Lhe apraz. Aniquilar significa algo como "tornar inútil" ou "inoperante" As coisas que não são consideradas, nem importantes, são as que tornam inoperantes as que se pensa serem algo (sejam esforços humanos, méritos, aparências, etc).
Para que nenhuma carne se glorie perante ele.
Exclui toda a glorificação no empreendimento humano. A verdadeira base da glorificação está na verdadeira satisfação que temos com aquilo que Cristo fez por nós. Toda a glorificação deve ser por aquilo que Ele fez, não pelas coisas insignificantes que nós, na melhor das hipóteses, podemos realizar.

 Mas vós sois dele, em Jesus Cristo, o qual para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção;
Tudo é dele e usufruímos por Ele. Os salvos são dele, a nova vida que têm deriva de Deus. Eles estão em Cristo Jesus, isto é, em estreita relação com Ele. Cristo é a própria atmosfera de relação em que vivem. A adversativa, mas vós, põe os crentes em forte contraste com os sábios mundanos. Contraste pois a sabedoria nos vem doutra forma: Cristo é que se nos tornou sabedoria. A aparente "loucura" do Evangelho é a verdadeira sabedoria de Deus encarnada em Cristo, que Se ofereceu para os homens puderem ser salvos. E essa sabedoria é tal que inclui: A justiça, que Cristo pôs ao nosso alcance, "o estado de justificado”; Ele é tb/ nossa santificação, pois jamais poderíamos obter santidade por nossas forças; e é nossa redenção, pois pagou o prego de resgate no Calvário humilhante e estranho.
Para que, como está escrito: Aquele que se gloria glorie-se no Senhor.
A consequência desta verdadeira sabedoria é totalmente eficaz em bênçãos, restaurando a relação com Deus e até o Plano perfeito e final de Deus para a humanidade! Consequentemente, não há lugar para a glorificação humana, este Senhor é Javé (Jer 9:23, 24) E o crente deve perceber que esta tremenda maravilha, é afinal uma nova ordem: entregar-se, humilhar-se, é amar como a si mesmo. Esta é a nova ordem que os crentes devem seguir.

Conclusão:
I  A mensagem era louca  para o mundo o evangelho é absurdo. Dizer que ele é poder provoca ainda mais reacção, mas é do que se trata, a solução de Deus tem o poder que é necessário e imprescindível. De facto a sabedoria humana é estéril, (apesar de parecer estranho ao Homem limitado) só o plano de Deus realiza o que é espiritual.
II  Explicação: A loucura é afinal uma nova ordem  A humanidade quer sinais, quer glória, quer exibir brilhantismo intelectual, é dominada por estes padrões. Um Messias humilde, maltratado, manietado, torturado, crucificado em morte maldita, é o oposto e é inaceitável!
Mas a solução de Deus estruturada no amor incondicional é poderosa para dar o que o homem precisa (poder, relação, significado) é afinal a verdadeira sabedoria.
III - A nova ordem traz consequências - tudo o que recebemos, nova vida, justificação, relação com Deus, concretização do plano perfeito e eterno de Deus para nós, veio dele, não há mérito em nós, logo devemos seguir exemplo e viver em humildade, satisfeitos nele.

António Marques
 XIV Congresso Nacional de Jovens,
2 a 5 de Outubro de 2009

 

 

 

 
< Artigo anterior   Artigo seguinte >