É um tempo para reflexão, á luz da palavra do Senhor, deixar que as palavras de Jesus, dos homens de Deus, da direcção do Espírito Santo e dos exemplos de crentes do inicio da Igreja, ilumine os nossos corações e as nossas mentes, para vivermos intrinsecamente a Comunhão no verdadeiro espírito de amor em Jesus.
A força da comunhão, está no amor, é como uma corrente constituída por muitos elos que apesar de nenhum ser igual ao outro e de não terem todos a mesma robustez, a sua resistência e poder está na forma como estão ligados entre si, não questionam a capacidades ou fraquezas, porque é no seu conjunto que é forte e poderosa, quando um elo se quebra a corrente não fica estragada, porque alguém terá o cuidado de voltar a ligar o elo que quebrou, fá-lo com mestria e saber, pois se não for bem reparado, apesar de ligado esse ponto fica débil. É assim, que Deus opera, para manter a corrente espiritual do todos os que são nascidos de novo.
O nosso Senhor Jesus, Cristo, sabendo da importância do amor, para que todos os que crêem sejam como um só, deixou instruções precisas sobre a necessidade de nos amarmos como Ele nos amou: Um novo mandamento vos dou, que vos ameis uns aos como eu vos amei (Jo.13.34) O meu mandamento é este que vos ameis, uns aos outros assim como eu vos amei (Jo.15.12) E isto vos mando que vos ameis uns aos outros (Jo.15.17). Jesus numa expressão forte de amor, mas com profunda tristeza, lamentou a rebeldia de Jerusalém, dizendo: Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos, debaixo das asas e tu não quiseste (Mat.23.37). Este é um quadro que expressa o amor pleno, os pintos debaixo das asas da galinha, recebem o seu calor, o aconchego e a protecção, enquanto estiverem debaixo das asas estão juntos e seguros, o salmista chama de o esconderijo do Altíssimo…ele te cobrirá com as suas penas e debaixo das suas asas estará seguro… (Sal.91.1,4). Deus através dos tempos fez tudo para proteger Jerusalém sob as suas asas, mas ele na sua rebeldia fugia da segurança que emanava do amor de Deus, tornando-se presa fácil para as nações.
Por esse motivo, Jesus sentiu a necessidade de enfatizar, exortar e até ordenar a todos os que crêem a amarem-se uns aos outros tal como ele amou. Jesus provou o seu amor, dando a sua vida para nos libertar do pecado e dar-nos a vida eterna, não se limitou a dizer que nos amava, dizer que amamos não chega, porque as palavras leva-as o vento, mas as acções permanecem. Jesus definiu a prova do amor a ele e uns aos outros. Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama (Jo.14.21) Se me amardes guardareis os meus mandamentos (Jo.14.15) Se guardardes os meus mandamentos permanecereis no meu amor... (Jo.15.10).
Já num período em que as disputas e contendas devido as interpretações pessoais e posições doutrinárias eram introduzidas na Igreja (cerca do ano 85 A.D), o nosso amado irmão e apóstolo João, dizia na sua primeira carta. Amados amemo-nos uns aos outros porque o amor é de Deus…nisto está o amor, não que nós tenhamos amado a Deus , mas que ele nos amou a nós enviando o Seu Filho para propiciação pelos nossos pecados e se Deus assim nos amou, também nos devemos amar uns aos outros…se nos amamos uns aos outros Deus está em nós e em nós é perfeito o Seu amor e dele temos este mandamento; que quem ama a Deus, ame também a seu irmão (I Jo.47sss).
O amado apóstolo Paulo, escrevendo à Igreja em Corinto que passava por períodos difíceis de definição espiritual, procurou demonstrar que a “cura”, a forma de vencer os mais altos e duros obstáculos dessa definição, era por meio do amor, por isso disse: (leiamos o capitulo 13 de I coríntios) e anotemos:
O quanto faz falta o amor:
Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos
Se não tivesse amor, seria como o metal que soa, como o sino que tine v.1
Ainda que tivesse o dom de profecia e de conhecimento de todos os mistérios, de toda a ciência e tivesse fé, que transportasse os montes (ver Mat.17.20) Se não tivesse amor nada seria v.2
Ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, que entregasse o meu corpo para ser queimado.
Se não tivesse amor nada disso me aproveitaria v. 3
A força e poder do amor:
Aquele que ama - não é:
Não é invejoso
Não é imprudente
ou leviano
Não se engrandece
Não se porta com indecência
Não é egoísta
E não busca os seus próprios interesses
Não cria contendas
E não se irrita
Não faz maus juízos
E não suspeita mal
Não é injusto
E não tem prazer na injustiça
Aquele que ama é:
Sofredor,
suporta com paciência…porque não teme as coisas que tem de sofrer (Ap.2.10)
Bom
Benigno, está sempre pronto para ajudar e cooperar…(vêr Gal.6.2)
Verdadeiro, folga com a verdade, porque foi gerado pela palavra da verdade (Tg.1.18)
Tudo crê
Tudo espera
Tudo suporta…(vêr II Tim.4.5)
A grandeza do amor, supera a fé e a esperança.
Nunca falha…foi assim com Jesus, na batalha do Getsenami, orando ao Pai, dizia: Se é possível passa de mim este cálice…mas sendo ele amor, como disse: ninguem tem maior amor que este de dar a sua vida pelos seus amigos (Jo.15.13) e como o amor lança fora o temor… (I Jo.4.18), disse ao Pai…não seja como eu quero, mas como tu queres (Mat 26.39), foi esse profundo amor que o levou até à cruz, onde morreu pelos nossos pecados segundo as Escrituras (I Cor.15.3 cp. Act.3.18), e mesmo na dor intensa da crucificação, suportando o cravar dos pregos, o desprezo dos seus algozes e a zombaria dos principes dos sacerdotes e do povo, o seu amor não falhou: Pai perdoa-lhes porque não sabem o que fazem (Luc.23.33-37). Perdoar é a atitude mais forte do amor.
O verdadeiro amor é um sentimento único, que só tem aqueles, que tem o amor de Deus (como já falamos atrás) e é nascido de Deus, e a prova de que amamos a Deus, é amarmos os que são nascidos de Deus e guardarmos os seus mandamentos. Todos os que são nascidos de Deus são feitos filhos de Deus, porque não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus (Jo.1.12-13). Jesus disse:... aquele que não nascer de novo não pode entrar no Reino de Deus, nascer de novo é nascer do Espírito (Jo.3.3-5). Portanto, como filhos de Deus, devemos aprender obediência, como Jesus, que ainda, que era Filho aprendeu a obediência por aquilo que padeceu, por isso, sendo Ele consumado, veio a ser a causa da eterna salvação para todos os que lhe obedecem (Heb.5.8-9).
No livro dos Actos, lemos: E todos os que criam estavam juntos e tinham tudo em comum, porque perseveravam (obedeciam, observavam) na doutrina dos apóstolos, no partir do pão nas orações. Um retrato profundo de respeito onde o amor era rei e dominava os corações, por isso perseveravam unânimes todos os dias no templo, partindo o pão em casa comiam juntos com alegria e singeleza de coração..., por isso era um o coração e a alma dos que criam...(At.2.42-47; 4.32). A unanimidade expressa o mutuo acordo entre pessoas com personalidades e caracteres diferentes, mas todos tinham do Espírito de Cristo, por isso moviam-se (como um enxame) na busca do mesmo alvo e propósito que era a propagação do Evangelho e o crescimento da Igreja.
Só há comunhão quando:
A comunhão só existe quando há acordo, quando se estiver unido em um mesmo sentido, contendas, dissenções, porfias, divisões etc, não podem nem devem existir (I Cor.1.10-13), porque a comunhão corre o risco de não ser uma realidade
No livro de Amós, lemos: Andarão dois juntos se não estiverem de acordo? (3.3), o profeta apresentava uma série de perguntas para denunciar as maldades e transgressões de Israel, que persistia em deixar os caminhos de Deus, por isso o Senhor falava através do profeta para chamar o povo para se encontrar com Deus (3.12). O melhor caminho para nos encontrarmos com Deus, é estarmos bem com ele e com todos os que crêem e o amam.
Somos “corpo” de uma comunhão de Igrejas, somos pessoas com personalidades, caracteres diferentes, pensamos por nós próprios e temos pontos de vista e interpretações pessoais das Escrituras, somos de congregações de vários locais, autónomas, somos tudo isto como seres humanos, mas como filhos de Deus gerados de novo pela fé em Jesus pelo poder do Espírito Santo, feitos cidadãos do Reino dos céus (Fp.3.20), concidadãos dos santos, familia de Deus, não deveríamos viver, pensar, agir sob a tutela do Espírito de Cristo? Não deve a palavra de Deus ter total soberania sobre nós e deixarmos de pensar por nós e pensar por Cristo?..
Amados irmãos, a Comunhão só pode ser uma realidade, quando vivermos em perfeita unidade, foi por isso que Jesus na sua oração pediu ao Pai e a grandeza desta petição envolve o Pai, o Filho e cada um de nós que é nascido de novo: Para que sejam um como nós somos um. Eu neles e tu em mim, para que sejam perfeitos em unidade (Jo.17.22-23).
O mundo, deve ver-nos não como várias unidades, mas como uma só unidade indivisível, à imagem do Pai, do Filho e do Espírito Santo Um só SENHOR.
Vítor Encarnação
Refrigério n.º 131
"Aparta-te do mal e faz o bem; e terás morada permanente" (Salmos 37:27).
O irmão Orlando Leite enviou-me a seguinte ilustração:
"Um homem referiu os seus conflitos internos que consistiam na existência de dois cães que em seu íntimo, a
todo momento brigavam. Um era cruel e mau e o outro bom e dócil.
Ao ser perguntado sobre quem prevaleceria nesta briga, ele respondeu: Aquele que eu alimentar."
Quando o nosso corpo está saudável, agimos com boa disposição e os nossos dias são mais felizes e produtivos.
Quando está enfermo, falta-nos ânimo e a vontade que nos sobressai é de não fazer nada e nem ir a lugar algum.
Assim é também com o nosso íntimo.
Se está cheio de amor, de esperança, de fé, somos mais solidários, mais atenciosos, mais perseverantes e o nosso bom-humor nos satisfaz e contagia a todos.
Se cultivamos o ódio, a descrença, a falta de moderação e a insatisfação constante, tornamo-nos desagradáveis, rabugentos e solitários.
Ninguém gosta de estar junto a uma
pessoa que passa os seus dias alimentando murmuração e mau-humor a todo instante.
Cabe, portanto, a cada um escolher como quer passar os os dias.
Se queres ser arrogante eprepotente e se a antipatia pessoal não incomoda, basta que deixes o inimigo moldar o teu carácter.
Se queres exalar o perfume do amor e da paz por onde andares, basta que busques directamente da fonte do Senhor, que fará com que o teu interior seja como ummanancial de vida e alegria.
E então, quem vencerá as batalhas internas?
Vítor Encarnação
Refrigério n.º 131