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06-Fev-2012
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As bênçãos que resultam da Graça Redentora Imprimir

 

Salmo 65:1-4

Uma das expressões que sintetiza, com muita propriedade, o significado e a própria razão dos factos notáveis que envolveram o Senhor Jesus Cristo no Calvário e no túmulo em que foi colocado, tornado gloriosamente vazio, é: GRAÇA REDENTORA.

GRAÇA porque reflecte a GRACIOSIDADE da acção divina, por nós não merecida, fielmente cumprida pelo Filho de Deus, em total obediência ao plano eterno do Pai (Jo 3:16; Ef 2:8; Fp 2:6-11).

 REDENTORA, porque foi  eficaz:
    a) para a restauração do pecador, pela Graça, à condição de filho de Deus, condição perdida pelo pecado dos nossos primeiros pais, afectando toda a raça  humana (Rm 5:12);
    b) para a plena capacitação do redimido à realização do propósito eterno de Deus, razão  pela qual foi criado (Jo 1:12; Ef 2:10; Tt 2:14);
    c) para a posse da vida eterna, perdida pelo  pecado, mas concedida graciosamente e garantida pela Redentor (Jo 10:10, 28; Ef. 2:1).
Davi, homem de extraordinária convivência e intimidade com Deus, deixou-nos inúmeras passagens, em suas inspiradoras palavras poéticas, reportando-se às BENÇÃOS QUE RESULTAM DA GRAÇA REDENTORA, na qual descasava totalmente, de alcance terreno e de  dimensões eternas.
O Sl 65 é um lindo hino de acções de graças que ele compôs, louvando a Deus pela sua GRAÇA REDENTORA (vs. 1-4), pela sua grandeza (vs. 5-8) e pela sua generosidade expressa na boa colheita (vs. 9-13).  Destarte, Deus é exaltado como REDENTOR, como CRIADOR e como SUSTENTADOR.
Meditemos sobre algumas das bênçãos que estão garantidas por DEUS REDENTOR ao REDIMIDO, resultantes da GRAÇA REDENTORA, registadas na primeira parte desse lindo  Salmo ( 1:1-4):

1.O REDENTOR ESCUTA A ORAÇÃO DO REDIMIDO
“Ó tu que escutas a oração”  v.2
O pecado rompeu todas as possibilidades do homem falar com Deus e ouvi-Lo, pois faz separação entre nós e Deus e encobre  o Seu rosto de nós, para que nos não ouça (Is 59:2). A REDENÇÃO restabelece nossa comunhão com Deus e a possibilidade de nossa ampla interacção com Ele, pois Ele se dispõe sempre a ouvir-nos e a nos falar. Pela oração exercemos esse indizível privilégio de  alto nível espiritual. Referindo-se às suas ovelhas, o Senhor Jesus, o bom Pastor, afirmou:  “elas ouvirão a minha voz...” e “as minhas ovelhas ouvem a minha voz”. 

Há três aspectos a considerar neste passo:

a)  Deus aprecia a oração penitente e sincera
Davi diz que Deus escuta a oração dos que a Ele virão “por causa de suas iniquidades” (v.3ª). Pv 28:13 nos ensina que, quando encobrimos as nossas transgressões, jamais prosperaremos, mas, se as confessamos (oração penitente) e as deixamos, alcançaremos misericórdia.

b)  Deus está acessível a todos os que o buscam
Afirma Davi (v.2): “a ti virão TODOS os homens”. Deus não lança fora os que o buscam. Jesus Cristo disse: “Vinde a mim, TODOS os que estais cansados e sobrecarregados...”

c)  Deus nem sempre responde da maneira que desejamos
Ensina Is 55:8: “os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos”. Muitas vezes exercitamos mal o privilégio da oração buscando a face do Senhor para pedir-Lhe o que está fora da Sua vontade, pois queremos satisfazer os nossos interesses e não os do Senhor, como afirma Tg 4:3: “pedis e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres”.
Se o REDENTOR escuta a oração do REDIMIDO, devemos aplicarnos no seu  exercício.

2. O REDENTOR PERDOA O NOSSO PECADO
“Se prevalecem as nossas transgressões, tu no-las perdoas”  - v. 3
O problema do homem é o pecado. O nosso pecado é contra Deus e só Deus pode perdoar. Uma das bênçãos da REDENÇÃO é a segurança do perdão, garantido pelo REDENTOR ao liquidar a nossa dívida no Calvário, onde satisfez a justiça de Deus que sobre nós pesava (Is 53:5).
Sobre o Calvário rogou Jesus Cristo ao Pai, em relação aos seus algozes:: “Pai, perdoa-lhes”. No Sl 32:1-6 Davi proclama a bem-aventurança (felicidade plena) daqueles “cuja iniquidade é perdoada e cujo pecado é coberto”.

Há três princípios fundamentais que podemos  inferir dessa linda poesia davídica sobre o perdão divino:
a) Não há felicidade plena (bem-aventurança) sem o perdão
b)  Não há perdão sem confissão do pecado (I Jo 1:9)
c) Não há confissão válida sem arrependimento sincero (Act 2:38).
Se o REDENTOR perdoa o nosso pecado devemos CONFESSÁ-LO, para o usufruto da bênção da bem-aventurança concedida pelo Senhor.

3. O REDENTOR ACOLHE-NOS COMO FILHOS AMADOS
“Bem-aventurado aquele a quem escolhes e aproximas de Ti”  v. 4
Está aí uma bênção de prazer indizível concedida pelo REDENTOR ao REDIMIDO. Os seus braços acolhedores se estenderam no Calvário e continuam estendidos para nos manter juntos a Ele no usufruto da mais profunda e gostosa intimidade. O REDENTOR sempre foi acolhedor, não importando a condição do homem que Ele veio buscar e salvar, por estar perdido (Lc 19:10; Mt 11:28-30; 19:14). Em Jo 10:28 Jesus Cristo afirmou que as ovelhas que o Pai lhe der ninguém as  arrebatará da Sua mão. Abençoado acolhimento concede o REDENTOR ao REDIMIDO, tornando-o um bem-aventurado! Mas lembremos que a INTIMIDADE  do Senhor é para os que O temem, aos quais Ele dará a conhecer a sua aliança (Sl 25:14).

Há três aspectos a considerar que decorrem dessa bênção de acolhimento pelo Senhor:
a) o usutruto da comunhão constante com o Senhor (I Jo 1:3)
b) o usufruto da instrução eficiente do Senhor (Lc 10:39, 42; Mt 11:29).
c) o usufruto do aconselhamento permanente do Senhor (Sl 16:7)
Se o REDENTOR acolhe os REDIMIDOS como filhos amados devemos busca-Lo em todas as circunstâncias de nossa vida.

4. O REDENTOR CONCEDE AO REDIMIDO O PRIVILÉGIO DE SERVI-LO
“para que assista nos teus átrios”- v. 4

Deus não quer salvos inactivos. Deus nos salva para servi-Lo (Rm 14:9). E isso se constitui num grande privilégio do REDIMIDO. Servir o Senhor é  bênção resultante da GRAÇA REDENTORA.

Há três características que devem se manifestar no nosso serviço para o REDENTOR:
a)     O nosso serviço deve ser espontâneo. Não devemos servir por obrigação, mas motivados pelo nosso amor espontâneo (I Co 16:14)
b)  O nosso serviço deve ser prestado para honra e glória do Senhor e não para nossa pessoal exaltação. Realizado no Espírito e não na carne (Cl 3:23-24)
c)  - O nosso serviço deve ser prestado com absoluta fidelidade, feito na soberana vontade de Deus, sempre no tempo de Deus e  no modo de Deus (Ap 2:10)
Se o REDENTOR nos dá o privilégio de servi-Lo, devemo-nos aplicar no serviço que Ele nos permite prestar.

5. O REDENTOR NOS PRESENTEIA A EXPERIENCIA DA SUA BONDADE 
“ficaremos satisfeitos com a bondade de tua casa, o teu santo templo” - v. 4
Somente Deus é Bom (Lc 18:19). “Bondade” é qualificação de nivel espiritual que o Espírito Santo manifesta, como um dos aspectos do Seu fruto, na correcta atitude cristã da nova criatura. É bênção que a GRAÇA REDENTORA nos concede.
Há que se notar, neste passo, três distintas e notáveis experiências  da Sua  bondade, com que nos partilha através da GRAÇA REDENTORA, consoante o precioso texto do hino de Davi no Sal 16:11:
a)  perspectiva de correcta direcção no rumo da vida.
Afirma Davi: “Tu me farás ver os caminhos da vida”. O pecado nos fez perder o rumo (Pv 16:25). O Senhor nos dá novamente a perspectiva correcta no rumo da vida (Jo 14:6). Nos faz ultrapassar as naturais dificuldades da vida (Pv 3:5-6). Nos leva aos Seus alvos  para nós ( Fp 3:13-14). 
b)  plenitude da alegria autêntica
Afirma Davi: “na tua presença há plenitude da alegria”. A alegria é ingrediente indispensável para o viver feliz. Mas a alegria que realiza a felicidade plena e autentica não é a produzida pelo cenário externo. Esta acaba quando o espectáculo termina e o pano fecha. É, sim, a que se estabelece no nosso interior, instalada pela presença do Senhor em nós. É a que só Ele pode dar (Jo 16:20). Ninguém e nada a tira de nós, nem as circunstâncias adversas (v.22). Será sempre completa (v.24).
c)  perpétuas delícias (satisfação)
Afirma Davi: “na tua dextra (há) delícias perpetuamente”.  No Sl 34:8 Davi proclama: “Oh! Provai e vede que o Senhor é bom, bemaventurado o homem que nele se refugia”. A experiência de perene satisfação é a deliciosa porção dos que se refugiam na GRAÇA REDENTORA.
Se o REDENTOR nos aquinhoa com a experiência da Sua bondade, cumpre-nos a  nós manter  aconchegados, nEle refugiando-nos e procurando em tudo agrada-lo

Conclusão:
“Redentor”. Oh que beleza  Mergulhado na miséria,      
Quando ali na Tua glória, Nesse Nome Teu se vê! 
Triste escravo de Satã,  Ante o trono me prostrar
Só Jesus, na Sua glória,  Envolvido em suas malhas.     
E com harpa de vitória, De leva-lo. digno é.    
Preso na esperança vã. Teus louvores entoar.
Redentor meu! Redentor meu!
Que alegria seres meu!  
Dele me livraste Tu!  Que alegria em Te adorar!
(HC 262)

Jayro Gonçalves / Refrigério 133

 
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