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23-Fev-2012
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Como apresentar Cristo na sociedade atual ? Imprimir

 

“E, chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É-me dado todo o poder no céu e na terra. Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” – Mateus 28:18-19

Este versículo resume o trabalho a que somos chamados a fazer pelo Senhor Jesus, mas atualmente todos se perguntam: “Como? Como posso apresentar a personagem de um Salvador numa sociedade materialista e pluralista como esta?” primeiramente considero importante que não devemos sentir que somos os únicos a passar por esta dificuldade: o próprio apóstolo Paulo passou pelo mesmo, quando fez a sua visita à Grécia.
Ao lermos Atos 17:16 constatamos que Paulo ficou comovido devido ao facto de Atenas estar entregue à idolatria (é preciso não esquecer que a Grécia não era um país monoteísta, pelo que acreditavam na existência de muitos deuses), no entanto na sua missão de apresentar Jesus Cristo àquela cidade ele verifica a existência de um altar que estava dedicado ao “Deus desconhecido”. Este altar foi o pretexto perfeito para Paulo apresentar aquela cidade sobre aquele Deus, o Deus que criou o mundo onde vivemos e todas as criaturas que neles vivem, e que vendo que a sua criação se encontrava mergulhada em pecado devido ao pecado que entrou na vida do homem, enviou o seu filho amado ao mundo, Jesus Cristo, que morreu por cada um de nós na cruz do calvário mas ressuscitou ao terceiro dia em corpo e ascendeu ao céus e agora se encontrava à destra de Deus Pai.
Quando Paulo apresenta a Jesus Cristo como o salvador da humanidade que ressuscitou em corpo é nos relatado que várias pessoas escarneceram (os filósofos acreditavam que não existia espírito apartado do mundo psicológico, pelo que quando ouviram que Jesus Cristo ressuscitou em corpo ficaram desiludidos pelo que aquilo que mais desejavam era verem-se apartados do mundo físico, que lhes trazia limitações e enfermidades).
Apesar de Paulo ser criticado, ele deixa-nos o exemplo que uma abordagem espetacular sobre como apresentar Cristo à sociedade atual. Paulo durante a sua viagem e durante o visionamento das estátuas leu frases de poetas, visitou a cidade e tomou conhecimento sobre como é que eles viviam. Assim, a partir disto que temos visto até aqui existem dois pontos importantes a retirar:
1º - Criar elos de ligação entre o evangelho e a sociedade ( Paulo citou frases de poetas, elogiou a religiosidade e identificou o altar ao “Deus Desconhecido”);
2º - Apesar de criar pontes com a cultura Paulo não deixou de dizer as verdades e não deixou de completar a sua missão que era apresentar Jesus Cristo aquela cidade. 
No entanto, ao contrário do mesmo, por vezes tendemos a revoltar-nos, porque sentimos tão grande necessidade de deixar a mensagem que quase que forçamos as pessoas a recebê-la, e chegamos ao ponto de nos esquecermos que devemos ser tolerantes e devemos respeitar as ideias pessoais que cada pessoa tem. Todavia, não é isto que Paulo nos deixa. Ele viu grande idolatria naquela cidade, mas ainda assim nunca foi rude ou se enraiveceu, deixando sempre a mensagem com sinceridade, clareza e sabedoria.
Quando tentamos apresentar Jesus Cristo a uma determinada pessoa, existem 3 vias possíveis de o fazer, sendo que o ponto de partida das três é o mesmo, que é de tirarmos partido do facto de vivermos numa sociedade pluralista em que tudo se assume como relativo.
   
A primeira via é designada de via positiva. Pode-se considerar que é aquela que mostra o lado mais “amoroso” da Bíblia, mas que no entanto é aquela em que, se pode dizer, causa menos impacto às pessoas. É a via que mostra às pessoas, o grande amor que Deus tem por nós e que foi demonstrado quando este mandou o seu Filho ao mundo morrer pelos nossos pecados.
O ponto importante a retirar desta via, é o facto de que vivemos numa sociedade que procura desesperadamente um relacionamento perfeito. Na fé cristã a “outra parte” não nos vai desiludir, e por esta via, podemos apresentar a maneira como Deus nos aceita de forma aberta e absoluta como nós somos. Obviamente, nada é perfeito, pelo que esta via, tal como as outras, pode afastar as pessoas da verdadeira essência do Evangelho, pois afinal Deus é um Deus de amor mas este é também justo. Consequentemente, as pessoas não podem estar a assumir que as tribulações não irão surgir na sua vida, apenas por que se encontram vinculadas a um Deus de amor. Aliás, estas pessoas até têm que contar com mais tribulações na sua vida.
   
A segunda via é designada de via positiva, negativa. Esta via é designada desta maneira pois, cativa as pessoas a procurarem refúgio em Jesus. No nosso dia a dia parece que vivemos como “alienados”, vivemos perdidos no nosso dia a dia com o nosso trabalho, os nossos passatempos e tudo aquilo que nos rodeia, e no meio de 24 horas de trabalho, raros são os momentos que dedicamos a conhecer o nosso Deus. Deus é justo e exerce a sua justiça… .
Assim, quando nos sentimos mais oprimidos, a primeira pessoa a quem recorremos é Deus. Isto passa-se com a maioria de nós sem que consigamos apercebermo-nos. Já com as demais pessoas, estas procuram passatempos e outras estratégias, como uma maneira de se alienarem do seu dia a dia sufocante e que lhes retira toda a esperança de uma vida de paz e sossego.
É nestas alturas, em que as pessoas se sentem mais em baixo e em que a pressão da vida é mais intensa, que nós devemos apresentar Cristo como sendo o único Salvador e o único capaz de lhe dar a paz tanto ansiada. Nada do que a pessoa esteja a passar pode ser mais humilhante do que aquilo que Jesus passou. Este veio ao mundo para morrer pelos nossos pecados para nos dar uma vida de esperança e paz com o Pai com ele sentado à sua destra.

A terceira via é designada de via negativa – negativa. Esta via deve ser aplicada em dois casos específicos:
a)    Na pessoa que sente arrependimento por atos do passado e vive “perseguida” pelos mesmos;
b)    Na pessoa que não sente qualquer necessidade de salvação.
No primeiro caso, é possível encontrar pessoas, que não encontrem descanso em lado nenhum, sentem-se oprimidas e perseguidas por atos passados que cometeram os quais não conseguem retirar da sua cabeça. Muito provavelmente seja possível ver pessoas debilitadas com enormes depressões e medicadas para que consigam moderar o seu comportamento, que pode levar a danos irreversíveis. Nestes tipos de casos, a abordagem de como apresentar Cristo deve ser das mais simples mas que deixe um impacto para aquela pessoa. Como aquilo que estas pessoas procuram mais é paz para o seu coração devemos apresentar Cristo, como Deus que se fez homem que derramou o seu sangue na Cruz do Calvário para morrer pelos nossos pecados para nos dar paz e vida eterna e retirar-nos do nosso sofrimento e da opressão.
No segundo caso, vemos pessoas que vivem o seu dia a dia, vemos uma pessoa que pode ser designada como o “cidadão exemplar” para a sociedade em geral. O homem que nunca cometeu um crime, um homem que é correto para com as pessoas e que, segundo os seus padrões de comportamento, é uma pessoa exemplar que não necessita de qualquer nível de salvação. Nestes casos o elemento chave para colocar a pessoa realmente a pensar é utilizar o elemento da dúvida. Por mais exemplares que possamos ser, durante a nossa vida ferimos pessoas e fazemos que ate podem não fazer qualquer diferença de acordo com os nossos parâmetros, mas que fazem toda a diferença de acordo com os parâmetros de Deus, pelo que pecamos diariamente.
Segundo Romanos 6:23 o salário do pecado é a morte, ainda assim Deus nos dá um dom gratuito que é a vida eterna, desde que recebamos Jesus como nosso Salvador e sigamos os seus parâmetros de vida, pois depois já não somos mais nós que vivemos mas é Cristo que vive em nós.
É também importante despertar os sentido de justiça das pessoas, pois com toda a certeza que aquela pessoa já se sentiu ferida por alguém, e sentiu aquele forte desejo de fazer justiça própria. Ora se nós como humanos sentimos esse desejo, não irá Deus fazer justiça e corrigir-nos como sendo a sua criação que ama?

Pedro Dias
Refrigério 141

 
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