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18-Mai-2013
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1Coríntios 10:1-13

É notória, em áreas chamadas evangélicas, a seria preocupação com a postura carnal, consciente e leviana, adotada por muitos que se denominam cristãos.
Na verdade, esse era assunto que já preocupava muito o apostolo Paulo, como se constata de suas preciosas cartas às igrejas.   Nas suas exortações no sentido da luta firme contra as paixões carnais, refere-se Paulo, no texto acima mencionado, ao exemplo expressivo da história dos israelitas, nas suas andanças pelo deserto.   Deus teve que castigar os que se desviaram do caminho da retidão, embora participando dos sinais externos de pertencerem a Israel. A chave do trecho é o v. 11:”estas cousas lhes sobrevieram como exemplos e foram escritas para advertência nossa”.    O Dr. Scroggie escreve a respeito do trecho: “a última parte de 9:27 pode ser tomada como chave de l0:1-22. O assunto é a possibilidade e o  perigo de ser desaprovado. Foi este o caso do israelita (1-10).  Notemos (1) Seus privilégios (1-4). Cinco deles são referidos, e devem ser procurados no VT por meio das referências. (2) Sua perversidade (6-10). Aqui são mencionadas cinco coisas: cobiça, idolatria, fornicação, provocação, desespero.  Segue depois (3) Sua pena (8-10). Foram derrotados, e pereceram, e contudo haviam sido remidos do Egito por sangue.  Nós cristãos devemos pensar que uma pecaminosa perversão de privilégios trará certamente o castigo”. Vejamos como Paulo nos exorta, exemplificando com a história do povo de Israel.

a) A fidelidade de Deus (v.s 1-4)
A fidelidade de Deus é demonstrada por Paulo pela menção dos privilégios que concedeu ao seu povo. Note a expressão “todos” várias vezes. A bênção alcançou a todos.  Os israelitas, sem exceção, receberam os sinais da bondosa mão do Senhor sobre eles.  Isso dá força ao lembrete do v. 5  de que a maioria pereceu! Deus não discrimina. A graça é para todos!  Os fatos históricos mencionados estão relatados em Êxodo (Ex 13:21, 22; 14:19, 24, etc).  São mencionados:

1) “Estiveram todos sob a nuvem” (v. 1) - fala da bênção da direção divina.  Quando Deus dirige os passos não há  obstáculos que não possam ser superados! Veja: “todos passaram pelo mar”.

2) “tendo todos sido batizados” (v. 2) - fala da união do povo à Moisés.  Moisés é um tipo de Cristo.  Foram colocados sob a liderança de Moisés, como nós sob a liderança de Cristo.  Essa é a idéia do “batismo”.  Vemos em Ex 14:31 que o resultado final do grande milagre da passagem através do mar e a experiência do grande livramento alcançado, foi “confiar no Senhor, e em Moisés, seu servo”.

3) “comeram de um só manjar espiritual” (v. 3) - fala do sustento infalível do Senhor. Foram todos sustentados pelo maná (Ex. 16:4, l3 e seguintes), mencionado por Paulo como “manjar espiritual”.  O adjetivo usado pelo apóstolo não está pondo em dúvida a realidade física do maná.  É a maneira como destaca a origem divina do maná e o seu valor como figura do alimento espiritual que somente o Senhor nos pode dar (Sl 78:24 cf. com Jo 6:32-35, 48).

4) “beberam da mesma fonte espiritual” (v. 4) - fala da satisfação plena que o Senhor é . Os israelitas não tiveram apenas o alimento espiritual, que sustenta, mas a bebida espiritual, que satisfaz plenamente.  Interessante notar que Paulo acrescenta uma explicação que não fizeram em relação à comida.  Refere-se a Cristo.  Ao faze-lo, transfere para Cristo o título “a pedra” ou “a rocha”, empregada no VT com relação a Jeová (Dt 32:15; Sl 18:2, etc).  Há evidente implicação com a preexistência de Cristo e referência tipológica à sua missão redentora.  Veja que no fato histórico a “rocha” foi golpeada para a obtenção da água (Ex 17:6; Nm 20:13).  A expressão “pedra espiritual que os seguia” não nos deve levar a admitir que Paulo estaria aceitando a lenda rabínica de que a pedra de Refidim, da qual jorrou a água, acompanhava os israelitas em sua viagem.  É possível que ele aludiu à citada fantasia, dando-lhe a interpretação espiritual, como figura de Cristo, de forma alegórica.  Lghfoot comenta que foram as correntes de água que os seguiram, e não a pedra.  Temos na “água” e no “maná” analogia ao “batismo” e à “Ceia do Senhor, nas experiências do povo de Israel.

b) A infidelidade dos israelitas (vs. 6-10)

1) A cobiça (v. 6) - Cobiça é o desejo intenso de qualquer natureza. No NT é empregado mais comumente com relação à paixões más do que aos bons desejos. Os israelitas manifestaram a “cobiça” quando preferiram a comida do Egito ao maná oferecido por Deus (Nm 11:4).

2) A idolatria (v. 7) - Substituir a necessária, exclusiva e prioritária devoção a Deus por outras devoções. Está aí uma séria advertência contra a idolatria, oportuna, em razão do problema em Corinto com o qual Paulo está lidando. Paulo cita Ex 32:6, onde o “comer”, o “beber” e o “divertir-se” representavam uma típica festividade idolátrica.  Muitas vezes uma festividade desse tipo degenera em devassidão.  As mais baixas paixões dos homens poderiam ser portas abertas nos próprios atos de adoração, e muitas vezes realmente o eram.  É também uma oportuna advertência para os nossos dias, quando a atitude religiosa é tristemente misturada com esse tipo de comportamento, com funestas consequências para a vida espiritual!  Devemos ter cuidado com o tipo de participações festivas de que participamos hoje em dia, muitas vezes com conotação religiosa.

3) a imoralidade (fornicação) (v. 8) - A imoralidade (fornicação) fazia parte de muitos cultos idolátricos. Paulo faz um remissão histórica a Nm 25:1, 3, 9.  Achavam-se prostitutas “sagradas” em muitos santuários, e neste aspecto, Corinto tinha notoriedade.  Israel “começou...a prostituir-se com as filhas dos moabitas” (v. 1), “juntando-se ...a Baal-Peor” (v.3).  O julgamento veio na forma de uma praga, e pereceram 24.000 (v. 9). Paulo refere-se a 23.000. O número de Paulo é o de mortos em um só dia. O de Nm 25:9 indica que  houve outras mortes depois.   Ambos são números redondos.  Temos neste texto o grave perigo que a indulgência para com a idolatria expõe os homens.  Normalmente a consequência da “idolatria” é a “imoralidade”.

4) A provocação (v. 9) - O povo puzera o Senhor (Jeová) à prova, isto é tentava o Senhor. A expressão tem o sentido de“desafiar” (Nm 14:22 e segs. 21:5 e  segs.; Mt 4:7).  Tentaram o Senhor para vêr até que ponto Ele podia ir. A queixa fora contra a alimentação. Por causa disso o Senhor enviou serpentes.

5) A murmuração (v. 10) - Era usual o povo agir assim, resmungando ou se queixando sem qualquer razão ou por qualquer motivo.  Lemos em Nm 14:2, 36; 16:11, 41, a respeito dessa murmuração;  em cada ocasião havia um castigo apropriado. A referência feita no texto ao “exterminador” (destruidor) é ao extermínio do bando de Coré em Nm 16.

c) A penalização divina (vs. 5, 8-10) 
No v. 5 Paulo deixa claro o que “Deus não se agradou da maioria deles” e penalizou-os severamente : “razão porque foram prostados no deserto”.  Séria advertência à negligência pecaminosa no comportamento fora do padrão do Senhor!  Nos vs. 8-10 vemos alguns dos castigos impingidos pelo Senhor aos que vivem confrontando a sua vontade e praticando os pecados aí referidos. Aprendamos a lição e confiramos nossa atitude cristã à luz da Palavra do Senhor.

d) - O sentido exemplar das referências históricas (vs. 6, 11-13)
Tanto no v. 6 como no v. 11 Paulo ensina que “estas cousas se tornaram exemplos para nós” e “foram escritas para advertência nossa”.  Essas cousas não devem ser consideradas apenas como história. Aconteceram como exemplos, valendo como instrução no conhecimento de Deus.   Deus tinha um propósito com tudo isso.  A palavra “século” no v. 11 tem o sentido de “eras”.  O pensamento pode ser uma série de épocas, ou pode relacionar-se a vários períodos da história, como a “era de Israel”, a “era dos gentios”.  Aqui “fins dos séculos” significaria algo como clímax ou consequência da história passada.  Há também a idéia de que a vinda de Cristo tem significação decisiva.  Cristo pôs fim a toda as eras anteriores. No v. 12 há uma idéia semelhante  à  9:27. Note-se que a advertência é para que possam estar em pé. Tal confiança deve-se sustentar nas promessas de Deus e na fiel aderência às condições nelas implícitas. A tentação sempre procura afastar-nos do modo correto de vida.  A “presunção” é “pressuposto de queda”.  Mas, como Paulo ensina no v. 13, Deus guarda o crente nesse particular e se o mesmo se apoiar em Deus, achará o meio de escape, mostrado pelo Senhor.  A segurança dada nesse versículo é um permanente consolo e fonte de energia para todos nós cristãos.    A nossa confiança está na fidelidade de Deus.
Conclusão – À vista dessa objetiva exortação de Paulo, feita com o subsidio do exemplo da historia do povo de Israel, ficamos seriamente responsabilizados perante o Senhor no que respeita à maneira como nos devemos portar neste mundo, que tanto nos induz ao atendimento das paixões carnais que  nos rodeiam e nos pressionam.
Sejamos fieis!

Jayro Gonçalves
Refrigério 144

 
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